A Justiça determinou a soltura do empresário Marcelo Batista, proprietário de um ferro-velho em Salvador, investigado pela morte de dois funcionários do estabelecimento. A decisão foi proferida na quarta-feira (13), e ele passará a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.
Marcelo é investigado por uma série de crimes, incluindo o duplo homicídio dos jovens Paulo Daniel Pereira Gentil do Nascimento, de 24 anos, e Matusalém Silva Muniz, de 25 anos, ocorrido em novembro de 2024. No entanto, a soltura decretada na quarta-feira está relacionada a outro crime: uma tentativa de homicídio contra três pessoas em agosto de 2025.
Desaparecimento e investigação
O empresário passou a ser investigado pela polícia em 2024, após os dois jovens desaparecerem ao sair para trabalhar como diaristas no ferro-velho. Segundo familiares, dias antes do desaparecimento, os dois foram acusados por Marcelo de roubar um gerador. Durante as investigações, manchas foram encontradas no banco de um carro de luxo pertencente ao empresário. A suspeita é de que o material seja vestígio de sangue dos rapazes.
Mais de 40 dias após o desaparecimento, laudos periciais analisados pela polícia apontaram que os dois jovens foram assassinados dentro do estabelecimento. Cerca de um ano e meio depois, os corpos dos jovens seguem desaparecidos.
Histórico de prisões
O empresário chegou a ter a prisão preventiva decretada pela morte dos jovens, mas não foi detido por esse crime. No entanto, Marcelo foi preso no curso de outra investigação. Confira o histórico:
- Novembro de 2024: Marcelo passou a ser procurado pela Polícia Civil pela morte dos dois jovens e teve a prisão preventiva determinada pela primeira vez.
- 27 de março de 2025: O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou o empresário e o soldado da Polícia Militar Josué Xavier Pereira pelos homicídios dos dois jovens.
- 31 de março de 2025: A Justiça da Bahia acatou a denúncia do MP-BA, tornando réus Marcelo e Josué, e decretou novamente a prisão preventiva do empresário.
- 9 de junho de 2025: Marcelo se apresentou voluntariamente à Justiça, depois de mais de dois meses foragido. O juiz Vilebaldo José de Freitas concedeu liberdade provisória com medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento noturno e proibição de sair da cidade.
- 26 de agosto de 2025: O empresário foi preso por outro crime, a tentativa de homicídio contra outras três pessoas. Na ocasião, ele se escondeu embaixo de um armário e reforçou a fechadura do acesso ao local onde foi encontrado.
- 11 de setembro de 2025: Marcelo foi solto mediante o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares.
- 4 de outubro de 2025: Marcelo voltou a ser preso. Esta prisão se refere ao processo por tentativa de homicídio contra outras três pessoas — duas delas ex-funcionárias da empresa —, que foram alvos de disparos de arma de fogo, mas conseguiram escapar. O mandado de prisão reverteu a decisão que o colocou em liberdade no dia 11 de setembro.
A Justiça determinou a soltura mais recente com a imposição de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares, enquanto as investigações prosseguem.



