Justiça de MT nega recursos e mantém chefão do CV fora de presídio federal
Justiça de MT nega recursos e mantém chefão do CV fora de presídio federal

A Justiça de Mato Grosso rejeitou, por unanimidade, os recursos apresentados pelo Ministério Público Estadual (MPE) e pelo Ministério Público Federal (MPF), mantendo a decisão que determina a saída de Leonardo dos Santos Pires, conhecido como 'Sapateiro' ou 'Maresias', do sistema penitenciário federal. Com isso, o detento, apontado como um dos líderes do Comando Vermelho na região norte do estado, deverá retornar a Mato Grosso para cumprir pena em um presídio comum, conforme solicitado pela defesa. A decisão foi assinada na última sexta-feira (15).

Condenações e crimes

Leonardo, de 34 anos, acumula mais de 245 anos em condenações por dezenas de crimes, incluindo os assassinatos de uma adolescente grávida, de um ex-jogador de futebol e de um comerciante. Atualmente, restam 218 anos de prisão a serem cumpridos. Em 2025, ele estava em uma ala de segurança máxima da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, quando a Justiça ordenou sua transferência para um presídio federal no Paraná, devido à sua periculosidade e aos crimes ordenados de dentro da unidade prisional.

Motivos da decisão

O juiz Rui Ramos Ribeiro, da 5ª Vara da Comarca de Sinop, destacou dois fatores principais para negar o recurso da acusação e manter o detento fora do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) federal:

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram
  • Absolvição do 'fato gerador': A transferência de Leonardo para o presídio federal de Catanduvas (PR) foi motivada pela suspeita de que ele seria o mandante da pichação com ameaças no Fórum de Sinop, em junho de 2024. No entanto, a Justiça o absolveu desse crime por falta de provas, eliminando o principal argumento para mantê-lo isolado;
  • Prazo do RDD vencido: A lei brasileira estabelece que o isolamento máximo em RDD é de dois anos, necessitando de renovação judicial justificada. Leonardo ingressou no regime em 8 de abril de 2024, e o prazo expirou em 8 de abril de 2026. O juiz de origem não realizou a reavaliação no tempo correto, configurando uma falha processual grave.

Relembre alguns crimes

Segundo a Polícia Civil, a maioria dos inquéritos envolvendo Leonardo refere-se a crimes cometidos em Sinop, a 503 km de Cuiabá. No ano passado, ele foi alvo da Operação Follow The Money, que investigava lavagem de dinheiro e tráfico de drogas no município.

Assassinato de comerciante

Em 2019, o comerciante Luiz Ney da Silva, de 54 anos, foi morto a tiros dentro de seu próprio estabelecimento. Testemunhas relataram que dois homens estacionaram uma motocicleta do outro lado da rua, atravessaram, entraram no mercado e efetuaram os disparos contra Luiz, fugindo em seguida.

Homicídio de ex-jogador

Em setembro de 2021, o ex-jogador de futebol Willian Santana, de 21 anos, foi sequestrado a caminho de uma festa de casamento e encontrado morto no dia seguinte, próximo a um rio na BR-163, em Sinop. Segundo a Polícia Militar, ele foi morto a tiros. Suspeitos confessaram que o assassinato foi ordenado por uma facção criminosa que o acusava de um suposto estupro, fato não comprovado. Willian foi zagueiro do Sinop Futebol Clube entre 2018 e 2021. Três homens e duas mulheres, além do mandante, foram presos. Em novembro de 2023, o grupo foi julgado e recebeu penas que somam 122 anos de prisão. Leonardo teve a maior condenação, de 40 anos.

Morte de adolescente grávida

Em julho de 2022, Leonardo ordenou a morte de Guilherme Felipe Oliveira de Moura, de 22 anos, que resultou na morte da companheira de Guilherme, Marina Azevedo Campos, de 17 anos, grávida e atingida cinco vezes durante uma troca de tiros. A investigação apontou que o alvo era Guilherme. Marina foi encontrada na cama do casal e Guilherme na cozinha. Pelo duplo homicídio, Leonardo foi condenado a 42 anos de prisão.

Condenação por homicídio qualificado

Em 2023, Leonardo e Viner dos Santos Alves foram condenados por homicídio duplamente qualificado e associação criminosa armada. As penas foram de 32 anos de reclusão e 25 dias-multa para Pires; e 14 anos, seis meses e 15 dias de reclusão e 15 dias-multa para Alves. De acordo com o MPMT, a ordem para a execução partiu de Leonardo, que estava recolhido na PCE.

Primeira prisão

Leonardo foi preso pela primeira vez por um roubo ocorrido em Lucas do Rio Verde, a 360 km de Cuiabá.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar