FenaPRF repudia nomeação de delegado acusado de matar PRF para cargo na Polícia Civil de RR
FenaPRF repudia nomeação de delegado acusado de matar PRF

A Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF) manifestou repúdio à nomeação do delegado Paulo Henrique Tomaz Moreira para um cargo de gestão na Polícia Civil de Roraima. O delegado é acusado de matar o policial rodoviário federal Ivo Seixas Rodrigues durante uma operação em 2018. Em nota publicada nas redes sociais, a FenaPRF afirmou que a decisão de conduzir à gestão pública policial uma pessoa diretamente vinculada a um episódio de tamanha gravidade representa uma afronta à memória do PRF Ivo Seixas Rodrigues, desrespeito aos seus familiares e grave desconsideração para com todos os policiais brasileiros que arriscam suas vidas diariamente em defesa da sociedade.

Nomeação e reações

Paulo Henrique foi nomeado diretor do Departamento de Operações Especiais (Dopes), considerado um setor de elite, pelo governador interino Soldado Sampaio (Republicanos). Ele já havia ocupado o cargo em 2019. A reportagem tenta contato com a defesa de Paulo Henrique. Em nota, a Polícia Civil de Roraima informou que a escolha observou critérios legais, administrativos e institucionais vigentes, conforme as normas aplicáveis à Administração Pública. Destacou ainda que Paulo Henrique é delegado de carreira e, até o momento, não possui impedimento judicial ou administrativo que restrinja o exercício de suas funções públicas.

O crime

O PRF Ivo Seixas Rodrigues foi assassinado a tiros dentro de um hotel no Centro de Boa Vista em abril de 2018. Segundo investigações da Polícia Federal, o agente foi morto por engano durante uma ação da Polícia Civil. Câmeras de segurança do hotel filmaram o momento em que o delegado e outros policiais chegaram ao quarto de Ivo. Quando a porta foi aberta, eles atiraram. Ferido, o policial caiu no chão e, minutos depois, foi arrastado pelo corredor e levado ao hospital. De acordo com a PF, os agentes foram ao hotel para abordar um suspeito ligado ao tráfico, mas acabaram confundindo a vítima.

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Inicialmente, a Polícia Civil informou que o PRF estava escoltando 19 kg de skunk para um traficante preso e que ele havia sido morto após troca de tiros. No entanto, semanas depois, a PF descartou a participação do PRF com o tráfico e afirmou que ele foi morto por engano em uma operação desastrosa. A PF deflagrou a Operação Farsa, que resultou na prisão de Paulo Henrique e outros envolvidos em abril de 2018. Após a prisão, ele foi afastado do cargo de delegado.

Situação judicial

Paulo Henrique e outros três policiais civis de Roraima viraram réus pelo crime em outubro de 2019. A Justiça também aceitou denúncia contra outros dois homens suspeitos de participação no homicídio. A defesa recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), alegando legítima defesa e cumprimento do dever legal. Em março de 2026, a ministra Maria Marluce Caldas negou o pedido e devolveu o processo ao Tribunal de Justiça de Roraima, que já havia decidido que o caso deve ser julgado pelo Tribunal do Júri, por entender que há indícios de homicídio com dolo eventual.

A FenaPRF cobra justiça e critica a demora no julgamento, que já dura mais de sete anos. A entidade destaca que a nomeação fere a credibilidade moral necessária para cargos de liderança policial.

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