Famílias enterram corpos trocados após erro no IML em Florianópolis
Famílias enterram corpos trocados após erro no IML em Florianópolis

Um erro no Instituto Médico Legal (IML) de Florianópolis levou duas famílias a sepultarem corpos trocados em 10 de abril. A confusão envolveu três homens: Juliano Henrique Guadagnin, de 24 anos, vítima de acidente de moto; Patrick Nunes Ferreira e Denner Dario Colodina, ambos vítimas de homicídio. Dois deles foram enterrados pelas famílias erradas, com caixão fechado, enquanto o terceiro permaneceu retido no IML.

Sugestão de esconder o erro

Segundo a agente funerária Aline Thaise Nunes Mikna, servidores públicos sugeriram manter os corpos trocados para que o erro não fosse descoberto. “Quando eu fui no IGP (antiga Polícia Científica) juntamente com o gerente da outra funerária, foi sugerida a questão de continuar da maneira que estava, esconder o erro. Que lacrasse a urna, entregasse para o velório normalmente para a família e, depois, fizesse o sepultamento. Assim, nenhum dos três casos seriam descobertos. A gente não fez isso”, afirmou à NSC TV. A Polícia Científica de Santa Catarina negou que a proposta tenha sido feita.

Como ocorreu a troca

Os corpos de Patrick Nunes Ferreira e Denner Dario Colodina foram liberados no dia 10 para as cerimônias de despedida. Patrick foi sepultado no Cemitério do Itacorubi no lugar de Denner, enquanto Denner foi enterrado no Cemitério do Rio Vermelho no local destinado a Juliano. Juliano, por sua vez, ficou retido no IML sem liberação à família.

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Responsabilização

Um relatório do IML responsabiliza o agente funerário pela troca, afirmando que ele removeu os corpos de Denner corretamente e de Patrick equivocadamente, julgando ser Juliano. A agente funerária Aline Thaise Nunes Mikna, no entanto, afirma que os documentos estavam corretos, mas os corpos foram trocados. O advogado da funerária, Juliano Duarte Campos, defende que a responsabilidade é dos servidores públicos: “O agente não reconhece, o agente recebe o corpo. Quem tem que ter cuidado e o dever de polícia de fiscalizar é o funcionário do IGP e não o agente da funerária”.

Identificação do erro e consequências

O erro foi descoberto quando a mãe de Juliano, Mônica Raquel Guadagnin, recebeu um telefonema da funerária após o sepultamento, solicitando seu retorno à central de óbitos devido a um problema com o IML. Os corpos foram exumados e, após nova passagem pelo IML, sepultados novamente no dia 13. A Polícia Científica reconheceu o erro operacional e instaurou apuração interna. O Ministério Público de Santa Catarina também vai investigar o caso.

Nota da Polícia Científica

Em nota, a Polícia Científica de Santa Catarina lamentou profundamente o ocorrido e pediu desculpas às famílias. Afirmou que o próprio sistema de controle interno identificou a inconsistência e que medidas corretivas foram tomadas. A instituição informou que revisará os protocolos operacionais para evitar novas ocorrências e que o caso está sob apuração da Corregedoria.

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