Exoneração em massa na Fazenda do RJ após operação da PF contra esquema na Refit
Exoneração na Fazenda do RJ após operação da PF

Quase 40 funcionários da Secretaria Estadual de Fazenda do Rio de Janeiro foram exonerados nesta segunda-feira (18), após uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de favorecimento ao grupo econômico ligado à Refinaria de Manguinhos (Refit). As mudanças ocorrem dias depois da ação policial, que mirou servidores públicos suspeitos de integrar uma organização criminosa.

Investigação e exonerações

Os servidores exonerados estavam na mira da PF desde a semana passada, quando foram alvo de mandados de busca e apreensão. Agora, além da investigação federal, eles também serão investigados internamente pela própria Secretaria de Fazenda. Entre os investigados estão o ex-secretário estadual de Fazenda, Juliano Pasqual, o ex-subsecretário de Receita, Adilson Zegur, e o superintendente de Fiscalização e Inteligência Fiscal, José Eduardo Lopes Teixeira Filho. Segundo a pasta, eles responderão a processos administrativos disciplinares, conforme determinação do atual secretário, Guilherme Mercês.

Correição extraordinária

O secretário também determinou a abertura de uma correição extraordinária na Auditoria Fiscal Especializada de Petróleo e Combustíveis para apurar possíveis irregularidades na concessão de incentivos fiscais à Refit. A investigação da PF aponta a existência de uma organização criminosa estruturada para favorecer interesses do grupo econômico ligado à refinaria, com atuação coordenada de agentes públicos da secretaria. Segundo a polícia, empresas ligadas à Refit teriam recebido facilitação em processos administrativos e fiscais, enquanto concorrentes do setor de combustíveis enfrentariam obstáculos criados dentro da estrutura da pasta.

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Indícios de corrupção

A PF afirma que Adilson Zegur e José Eduardo Lopes Teixeira Filho aparecem em conversas com Álvaro Barcha, identificado como operador financeiro e intermediário de propinas do grupo. Os contatos dos servidores no celular de Álvaro estavam salvos como “Adilson Pix” e “Lopes Pix”, o que, segundo a PF, pode indicar fluxo de dinheiro entre os envolvidos. O atual secretário da Fazenda determinou ainda o cancelamento de todos os acessos de Zegur e Lopes aos sistemas internos e bancos de dados da secretaria.

Influência e dinheiro vivo

A Polícia Federal suspeita que Ricardo Magro, empresário ligado à Refit, tinha influência direta sobre a gestão da Secretaria de Fazenda, corrompendo agentes públicos para atuar em benefício da refinaria. Parte das denúncias sobre o esquema também chegou à Polícia Civil, indicando que os vínculos da organização criminosa se estendiam a outras instituições públicas. Na semana passada, durante a operação, agentes encontraram cerca de R$ 500 mil em dinheiro vivo na casa do policial civil Maxwell Moraes Fernandes, guardados em caixas de sapato. Em uma delas, havia a mensagem: “O que é bom a gente guarda”.

Investigação anterior arquivada

Segundo a PF, Maxwell havia sido designado para investigar uma denúncia sobre a atuação da Refit na Secretaria de Fazenda. O documento, de janeiro do ano passado, apontava que o esquema liderado por Ricardo Magro teria braços dentro da pasta, incluindo o então subsecretário Adilson Zegur. A denúncia afirmava que Zegur e outro servidor receberiam R$ 300 mil por mês para impedir a entrada de concorrentes da Refit no mercado de combustíveis. Apesar das suspeitas, Adilson Zegur foi ouvido apenas como testemunha por Maxwell. A PF afirma que, diante da “precariedade” da apuração conduzida pelo policial e do possível vínculo dele com Álvaro Barcha, a investigação acabou arquivada.

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