Condenado por homicídio se entrega à polícia após 11 anos em Ribeirão Preto
Condenado por homicídio se entrega à polícia após 11 anos

O administrador de empresas Cristiano Luis Piantela, de 47 anos, se entregou à polícia de Ribeirão Preto (SP) na tarde de terça-feira (5), quatro anos após ser condenado por matar o gerente de eventos Renan Túbero, que tinha 26 anos. O crime ocorreu em dezembro de 2015, dentro de um apartamento na zona Oeste de São Paulo.

Piantela foi levado a júri popular em outubro de 2022, sete anos depois, e sentenciado a 14 anos de prisão em regime fechado, mas respondia em liberdade porque o Superior Tribunal de Justiça não encontrou requisitos para manter a prisão preventiva dele. No dia 23 de abril deste ano, o processo transitou em julgado. O mandado de prisão contra o administrador foi expedido pela Justiça na segunda-feira (4) e ele se apresentou na Central de Polícia Judiciária (CPJ) no dia seguinte.

Reação da família

Ao g1, a irmã de Renan, Marcela Túbero, disse nesta quarta-feira (6) acreditar que a justiça foi feita. "Nada nem ninguém trará meu irmão de volta. Mas mesmo depois de quase 11 anos, depois de tanta luta e dor, ver ele [o autor do crime] sendo preso, pra gente, traz um alívio no coração e um sentimento de justiça".

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Defesa alega inocência

Procurado pela reportagem, o advogado Rafael Pacheco, que defende Piantela, disse que o administrador se apresentou mesmo sendo inocente, mas que vai buscar a revisão criminal para restabelecer a verdade dos fatos. "O encerramento do processo, nessas condições, representa uma dolorosa tentativa de conferir resposta definitiva a um caso que jamais foi devidamente esclarecido, como se a necessidade de encontrar um culpado pudesse substituir a busca efetiva pela verdade", disse.

Detalhes do crime

Renan Túbero tinha 26 anos quando foi morto. O crime aconteceu na manhã do dia 13 de dezembro de 2015, em um apartamento na Rua Joaquim Antunes, em Pinheiros. À época, Cristiano Piantela foi preso em flagrante e afirmou em depoimento à polícia que matou Renan por ciúmes. Ele foi solto dois dias depois.

Segundo a Polícia Civil, Piantela se hospedou no apartamento de Renan por dois dias. Ele afirmou em depoimento que havia consumido drogas sintéticas em uma balada na madrugada de 13 de dezembro, dia do crime. Imagens do circuito interno de segurança foram analisadas pelos policiais do 14º Distrito Policial, em Pinheiros, onde o crime foi investigado. De acordo com os vídeos, a vítima deixou o imóvel às 7h27 e retornou às 7h47. O crime aconteceu antes das 8h. O administrador chegou a negar o crime, mas, ao ser confrontado com os horários das câmeras de segurança, confessou que esfaqueou o jovem depois de uma briga.

Discussão por ciúmes

Ainda em depoimento à polícia, Piantela disse que saiu com um grupo de amigos e, quando retornou, às 7h15, Renan não estava no apartamento. Quando a vítima chegou, os dois iniciaram uma discussão por ciúmes, porque Renan teria saído com o namorado de Piantela, que contou que pegou uma faca e golpeou o gerente de eventos no peito. Após ver o que tinha feito, o administrador tentou reanimá-lo, mas sem sucesso. O cozinheiro com quem Renan dividia o apartamento afirmou que trabalhou até as 2h em um restaurante e quando chegou foi dormir e que não teria presenciado o crime. Ele disse também que foi acordado por Piantela e notou um comportamento estranho, quando encontrou o colega morto.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Argumentos da defesa

Em nota, o advogado Rafael Pacheco afirma que, mesmo sendo inocente, Piantela se apresentou para cumprir uma pena considerada injusta depois de um processo marcado por falhas na produção de provas periciais e cerceamento de defesa. "As perícias produzidas nos autos estiveram longe de representar elementos conclusivos para a elucidação do caso", disse. Pacheco questiona, por exemplo, a falta de análise nos aparelhos celulares da vítima e do acusado, bem como afirma que a perícia na faca apontada como arma do crime ocorreu apenas sete anos após os fatos. "O próprio laudo pericial concluiu pela impossibilidade de identificação de digitais atribuíveis a Cristiano, justamente em razão do excessivo lapso temporal e das condições inadequadas de armazenamento do objeto apreendido." O advogado afirma ainda que a acusação ignorou o fato de haver uma terceira pessoa no interior do apartamento da vítima no momento dos fatos. "Indivíduo que nada viu, ouviu ou presenciou acerca da dinâmica do ocorrido; assim como Cristiano."