Ciro Nogueira, ex-ministro de Bolsonaro, é alvo da PF por fraudes no Banco Master
Ciro Nogueira é alvo da PF por fraudes no Banco Master

O ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PP-PI), tornou-se o principal alvo da nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. A ação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpre 10 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de bens, direitos e valores no montante de R$ 18,85 milhões.

Proximidade com banqueiro

Investigações da Polícia Federal revelaram mensagens no celular do banqueiro Daniel Vorcaro que indicam uma relação próxima entre ele e Ciro Nogueira. Nos diálogos, Vorcaro se refere ao senador como “grande amigo de vida” e comemora uma emenda apresentada por ele que beneficiaria o Banco Master. Em uma troca de mensagens com a companheira, a blogueira Martha Graeff, Vorcaro escreveu: “Ciro Nogueira. É um senador. Muito amigo meu. Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida”.

Emenda Master

Em agosto de 2024, Ciro Nogueira apresentou uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da autonomia financeira do Banco Central. O texto sugeria elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF. Como o Banco Master baseava seu modelo de negócios na emissão de CDBs com garantia do FGC, a proposta ficou conhecida como “emenda Master”. Vorcaro celebrou a iniciativa em mensagem: “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Esta todo mundo louco”. A emenda, no entanto, não avançou devido à resistência de entidades bancárias e a PEC permanece parada no Senado.

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Indícios de pagamento

A PF também identificou indícios de um possível pagamento associado ao nome “Ciro”. Em maio de 2024, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador financeiro, enviou uma lista com solicitações de repasses, incluindo “Pagamento pra Ciro”. Vorcaro autorizou os pagamentos, mas os investigadores ainda não confirmaram se o destinatário era o senador ou outra pessoa. Outra mensagem envolve o deputado federal Fausto Pinato (PP-SP), que sugeriu uma videoconferência com Ciro Nogueira. Vorcaro também demonstrou interesse em participar do casamento da filha de Ciro, Duda Nogueira.

Defesa de Ciro Nogueira

Procurado, Ciro Nogueira afirmou conhecer Vorcaro, mas negou proximidade e qualquer pagamento. “Inferir que se refere a mim, senador Ciro Nogueira, é definitivamente uma mentira fabricada na tentativa de manchar minha biografia”, declarou. Em nota, sua assessoria disse que o senador troca mensagens com muitas pessoas e está tranquilo quanto às investigações, pois não manteve conduta inadequada. A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou. As investigações continuam para apurar possíveis crimes envolvendo agentes políticos no escândalo do Banco Master.

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