Ginecologista de 81 anos é preso por estuprar paciente em trabalho de parto no Paraná
Ginecologista de 81 anos preso por estupro em parto no PR

O médico ginecologista Felipe Lucas, de 81 anos, foi preso nesta quarta-feira (6) sob a acusação de abusar sexualmente de uma paciente que estava em trabalho de parto em Teixeira Soares, na região central do Paraná. A prisão preventiva foi realizada em Curitiba, e o idoso pode ser transferido para prisão domiciliar devido à idade avançada.

Denúncia e investigação

De acordo com o delegado Rafael Nunes Mota, a vítima procurou a polícia após tomar conhecimento de outras acusações contra o médico. Em abril, três mulheres de Irati denunciaram abusos durante atendimentos, sendo que duas delas só o fizeram após a divulgação do primeiro caso. A primeira denúncia tornou Felipe Lucas réu por violação sexual mediante fraude. As outras duas, porém, prescreveram.

No novo caso, o médico foi enquadrado no crime de estupro de vulnerável. A vítima relatou que o abuso ocorreu durante um exame pré-parto, e a Polícia Civil entendeu que o ginecologista a colocou em uma posição em que ela não poderia oferecer resistência.

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Padrão de comportamento

Segundo a polícia, os relatos das vítimas são semelhantes e indicam um padrão de comportamento que se estende por décadas. As mulheres relataram medo de denunciar devido à influência política do médico, que já foi deputado estadual, prefeito e vereador de Irati. O delegado Luis Henrique Dobrychtop afirmou: "Elas disseram que não procuraram a polícia antes por medo da influência política do autor."

O profissional teria se aproveitado da posição de confiança para praticar atos libidinosos, usando supostos procedimentos clínicos como pretexto. Uma das vítimas contou que, durante o exame, o médico realizou "massagens íntimas", alegando ser uma orientação para estímulo da libido, conduta sem respaldo médico.

Primeira denúncia

A primeira denúncia foi feita por uma mulher de 24 anos, atendida em fevereiro em Irati. Ela procurou a delegacia sete dias após o exame, justificando o atraso pelo abalo emocional. A vítima afirmou que, enquanto estava despida, o médico atendeu uma chamada telefônica pessoal de cinco minutos, causando constrangimento. Além disso, não houve registro clínico do atendimento, o que levantou suspeitas.

Investigações

Durante as investigações, foram ouvidas testemunhas, profissionais de saúde, a vítima e seu marido. O filho da mulher, de cinco anos, também passou por escuta especializada, pois estava presente durante o atendimento. O médico foi indiciado por violação sexual mediante fraude, e o Ministério Público reforçou o pedido de afastamento das funções públicas e suspensão do exercício profissional.

Outras vítimas

Após o primeiro caso, mais duas mulheres procuraram a polícia. Uma relatou abuso em 2011 e a outra em 2016. Os relatos incluem toques íntimos prolongados e exames repetitivos sem justificativa clínica. Devido à prescrição, esses casos não gerarão novos processos, mas serão usados para corroborar a palavra da primeira vítima.

Defesa

A defesa de Felipe Lucas alega que a prisão é ilegal, baseada em fatos falsos e prescritos. Em nota, afirmou que o médico provará sua inocência no decorrer do processo.

Carreira política e médica

Felipe Lucas é médico desde 1975, especializado em ginecologia e obstetrícia. Em 2024, foi homenageado pelo CRM-PR pelos 50 anos de profissão. Ele também teve carreira política como vereador, prefeito de Irati nos anos 1990 e deputado estadual por dois mandatos. Em 2020, concorreu a vice-prefeito, mas não se elegeu.

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