TJ-PR concede habeas corpus e solta policial militar influenciador conhecido como 'Sancho Loko'
TJ-PR solta policial militar influenciador 'Sancho Loko' com medidas cautelares

Tribunal de Justiça do Paraná concede liberdade a policial militar influenciador digital

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) aceitou um pedido de habeas corpus e determinou a soltura, nesta sexta-feira (17), do policial militar e influenciador digital Marcionilio Sancho Cambuhy Junior, de 44 anos, conhecido nas redes sociais como "Sancho Loko". A decisão judicial revogou a prisão preventiva que estava em vigor e estabeleceu uma série de medidas cautelares que o PM deverá cumprir rigorosamente.

Operação do Gaeco resultou na prisão em abril

Sancho havia sido preso no dia 7 de abril, durante uma operação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MP-PR), na cidade de Curitiba. A ação contou com o apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar (PM-PR) e cumpriu quatro mandados de busca e apreensão.

Além de Sancho, outros dois policiais militares foram detidos na mesma operação: Pablo Costa Furtado e Hilaro Keyser Cerqueira Santos. Os três são investigados por suspeita de cometer crimes como:

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  • Tortura
  • Fraude processual
  • Lesão corporal
  • Falsidade ideológica

Segundo as investigações, os supostos crimes teriam sido cometidos em mais de uma ocasião, durante abordagens policiais na capital paranaense.

Medidas cautelares impostas pela Justiça

Com a concessão do habeas corpus, o juiz determinou que Sancho deverá seguir regras específicas para permanecer em liberdade:

  1. Não poderá sair de casa durante a noite e nos finais de semana, exceto quando estiver escalado para o trabalho
  2. Não poderá se ausentar da cidade por períodos superiores a sete dias
  3. Deverá se apresentar mensalmente em Juízo

O descumprimento de qualquer uma dessas determinações poderá resultar na revogação da liberdade e na decretação de nova prisão.

Material apreendido durante as buscas

Durante as diligências realizadas pelo Gaeco, foram apreendidos diversos itens que podem auxiliar nas investigações:

  • Celulares e dispositivos de armazenamento eletrônico
  • Munições irregulares encontradas nas residências dos outros dois policiais
  • Dinheiro em espécie
  • Simulacros (réplicas) de armas de fogo
  • Munições irregulares
  • Porções de drogas como maconha, crack e cocaína

Os itens foram localizados em armários sem identificação na unidade militar onde os policiais atuavam, além de terem sido encontrados nas residências dos investigados.

Posicionamento da defesa e da Polícia Militar

O advogado Claudio Dalledone, que atua na defesa de Sancho, afirmou que a concessão da liminar "retrata a seriedade e compromisso da Justiça Paranaense". Ele explicou que seu cliente foi preso em flagrante por estar em posse de duas granadas de efeito moral que, segundo sua argumentação, "não apresentam letalidade nenhuma".

Dalledone também mencionou que as munições encontradas eram compatíveis com o calibre das armas utilizadas por Sancho em sua função como instrutor de tiro, e classificou a decretação da prisão preventiva como uma decisão "descabida".

Em nota oficial, a Polícia Militar do Paraná informou que prestou apoio à operação através da Corregedoria-Geral e confirmou que a ação apura desvios de conduta supostamente cometidos durante abordagens policiais em Curitiba. A instituição destacou que "foram constatadas irregularidades" durante as diligências e que será instaurado um procedimento administrativo para apuração completa dos fatos.

A PM reforçou ainda que "não compactua com condutas que violem os princípios e normas da instituição", reafirmando seu compromisso com a legalidade, transparência e responsabilidade em todas as suas ações.

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Perfil digital do policial militar

Sancho Loko mantém um perfil ativo nas redes sociais, onde acumula aproximadamente 270 mil seguidores. Em seu conteúdo, ele compartilha frequentemente a rotina do trabalho como policial militar, incluindo participações em ocorrências e operações policiais, o que lhe conferiu notoriedade como influenciador digital na área de segurança pública.

Os outros dois policiais presos na mesma operação, Pablo Costa Furtado e Hilaro Keyser Cerqueira Santos, também tiveram a liberdade provisória concedida, mas com a aplicação de medidas cautelares similares às impostas a Sancho. O g1 continua tentando contato com a defesa dos dois PMs para obter mais informações sobre seus casos.