STJ ordena nova prisão preventiva de policiais militares envolvidos em caso de advogado assassinado
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou, nesta quarta-feira (18), a prisão preventiva dos policiais militares Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Wailson Alesandro Medeiros Ramos e Wekcerlley Benevides de Oliveira. A decisão, da ministra Maria Marluce Caldas, atende a um pedido do Ministério Público Estadual e reverte liberdades provisórias concedidas anteriormente.
Acusações graves e risco à ordem pública
Os quatro PMs são investigados por homicídios qualificados e pela suspeita de simular confrontos armados para ocultar provas relacionadas ao crime que resultou na morte do advogado Renato Nery, ocorrido em julho de 2024 em Cuiabá, Mato Grosso. Na fundamentação, a ministra destacou:
- A gravidade concreta dos crimes, com uma das armas apreendidas vinculada a outros homicídios, incluindo indícios de uso de munição policial.
- O elevado risco à ordem pública, devido à periculosidade dos agentes que ameaça a comunidade.
- A necessidade de proteger a instrução processual, evitando intimidação de vítimas sobreviventes e testemunhas.
"Além de os fatos narrados serem graves, o contexto fático denota a elevada periculosidade dos agentes, colocando em risco toda a comunidade", escreveu Maria Marluce Caldas.
Histórico criminal dos policiais investigados
De acordo com registros da Justiça de Mato Grosso, os acusados têm envolvimento em múltiplos casos:
- Jorge Rodrigo aparece em processo sobre a morte de Mayk Sanches Sabino (2020) e foi indiciado pela morte de Ricardo Conceição da Silva (2023).
- Wailson Alesandro é um dos indiciados pela morte de Victor Lima Hipolito.
- Leandro Cardoso foi alvo da Operação Simulacrum, que investigou mais de 60 PMs por 24 mortes em simulações de confrontos.
Detalhes do assassinato de Renato Nery
O advogado Renato Nery foi baleado em julho de 2024 ao chegar em seu escritório em Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, o atirador aguardava sua chegada, efetuou os disparos e fugiu em uma motocicleta. Câmeras de segurança registraram o momento do crime, mostrando Renato sendo atingido e caindo ao chão. Ele faleceu um dia após o atentado e foi sepultado na capital mato-grossense em 7 de julho.
Os policiais haviam sido presos inicialmente em março do ano passado durante as investigações, mas receberam autorização da Justiça Militar em dezembro para retornarem às atividades externas. O g1 contactou a Corregedoria da Polícia Militar, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.



