PF desarticula organização criminosa que recrutava policiais para contrabando e lavagem de dinheiro em MS
PF prende policiais civis por envolvimento em esquema de contrabando em MS

PF desarticula organização criminosa que recrutava policiais para contrabando e lavagem de dinheiro em MS

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (18) a Operação Iscariotes, que resultou na prisão de dois policiais civis suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada em contrabando, descaminho, lavagem de dinheiro e corrupção em Mato Grosso do Sul. Os agentes presos são Edivaldo Quevedo da Fonseca e Célio Rodrigues Monteiro, conhecido como "Manga Rosa", que atuavam em delegacias de Campo Grande e Sidrolândia.

Esquema sofisticado de contrabando internacional

De acordo com as investigações da PF, o grupo atuava de forma organizada na entrada ilegal de eletrônicos de alto valor provenientes do Paraguai, sem nota fiscal e sem passar pela fiscalização alfandegária. Os produtos eram posteriormente comercializados em Campo Grande e enviados para outros estados, com destaque para Minas Gerais.

As investigações revelaram técnicas sofisticadas utilizadas pela organização:

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  • Uso de veículos adaptados com compartimentos secretos para transporte das mercadorias
  • Ocultamento de produtos em meio a cargas legais para despistar fiscalização
  • Estratégias elaboradas para esconder o dinheiro obtido com as atividades ilícitas
  • Repasse de informações sigilosas por parte dos policiais envolvidos

Histórico criminal dos policiais presos

Esta não é a primeira vez que os dois agentes são alvo de investigações policiais. Célio Rodrigues Monteiro já havia sido investigado na Operação Omertà, que apurava a atuação de milícias armadas em Mato Grosso do Sul, e na Operação Snow, que investigava tráfico de cocaína com participação de agentes de segurança.

Em março de 2024, ele foi flagrado conversando com um traficante na porta da delegacia onde trabalhava em Campo Grande. Atualmente, Célio estava lotado na Delegacia de Polícia Civil de Sidrolândia, unidade que foi alvo de buscas durante a operação.

Edivaldo Quevedo tem histórico de prisão em dezembro de 2024, quando foi detido pela Polícia Rodoviária Federal em Sidrolândia com um veículo carregado de mercadorias estrangeiras sem documentação. Ele estava lotado na 5ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, que também recebeu mandados de busca.

Resultados da operação e medidas judiciais

A Operação Iscariotes cumpriu um total de 31 mandados de busca e apreensão, incluindo o fechamento do Camelódromo de Campo Grande, onde foram apreendidos diversos produtos paraguaios como eletrônicos e emagrecedores.

As medidas judiciais determinadas incluem:

  1. Quatro prisões preventivas
  2. Uma medida de monitoramento eletrônico
  3. Afastamento de dois servidores públicos
  4. Suspensão do porte de arma de seis investigados
  5. Bloqueio de bens de 12 pessoas físicas e jurídicas, totalizando aproximadamente R$ 40 milhões

Posicionamento institucional e investigações complementares

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) emitiu nota informando que acompanha o caso e que os policiais envolvidos também responderão a processos administrativos. A pasta afirmou que não compactua com desvios de conduta e que vai apurar as responsabilidades com rigor, transparência e dentro da lei.

Segundo dados do Portal da Transparência, os dois policiais presos recebiam cerca de R$ 10 mil mensais como agentes de polícia judiciária. A reportagem tentou contato com a defesa dos investigados, mas não obteve retorno até a última atualização.

A investigação continua para identificar outros possíveis envolvidos e desvendar completamente a extensão da organização criminosa que operava com a participação ativa de agentes públicos em Mato Grosso do Sul.

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