Família sofre ameaças de policial penal em Fortaleza; órgãos abrem investigação
Uma família residente no Bairro Parque Presidente Vargas, em Fortaleza, denuncia estar sofrendo constantes ameaças e perseguição por parte de um policial penal, vizinho da região. As vítimas relatam que o agente público teria apontado uma arma para o carro delas e ainda fez uma denúncia falsa na tentativa de prejudicá-las criminalmente. O caso ganhou repercussão após entrevista concedida à TV Verdes Mares, onde os moradores detalharam os episódios de intimidação.
Intimidação com arma e falsa acusação
De acordo com o casal, os desentendimentos começaram em 2024, inicialmente por questões como barulho e entrega errada de correspondências. A situação, no entanto, escalou rapidamente. "Sempre quando a gente saía de casa, ele ia lá para fora com arma na cintura, sem camisa, já para nos intimidar", contou a mulher. Em um episódio específico, quando a família saía de carro, com a filha no banco de trás, o policial teria aberto o portão e apontado uma arma diretamente para o veículo.
A criança, segundo os pais, passou a ter pesadelos constantes após o ocorrido e se recusa a ir à escola a pé por medo. Além disso, o agente penal teria feito uma denúncia falsa à Polícia Militar, alegando que a residência da família era ponto de tráfico de drogas e que o marido mantinha a esposa em cárcere privado. Uma equipe do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) foi ao local no dia 14 de março deste ano, mas constatou que a acusação não procedia e não encontrou qualquer situação ilícita.
Investigações em andamento
Em resposta às denúncias, a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário do Ceará (CGD) informou que instaurou um procedimento disciplinar para investigar o caso no âmbito administrativo. "O processo está em trâmite, conforme ordenamento jurídico vigente", afirmou o órgão. Já a Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado do Ceará (SAP) declarou que está à disposição das autoridades para contribuir no que for necessário.
A Polícia Militar do Ceará (PMCE) emitiu nota reforçando que atua com base em denúncias recebidas, realizando as devidas verificações, e destacou a importância do uso responsável dos canais de comunicação para acionamento das forças de segurança. O g1 optou por não divulgar o nome do policial penal devido às investigações estarem em estágio inicial, sem indiciamento da Polícia Civil, denúncia do Ministério Público ou punição pela CGD. O servidor não foi localizado para comentar as acusações.
Impacto na vida da família
Enquanto aguardam o desfecho das investigações, a família afirma viver com medo no bairro e se sente coagida pela presença do policial. "Eu fui na CGD, fui na SAP, fizemos B.O na delegacia. Só que, desde 2024, a gente não vê nenhum resultado concreto sobre esse caso", criticou uma das vítimas. O denunciante relatou que o agente "continua do mesmo jeito, expondo a arma", e completou: "Fica difícil assim de a gente conviver com uma pessoa que era para nos proteger. A gente se sente coagido. Eu tomo remédio controlado agora por causa dele, não consigo dormir à noite. Espero que as autoridades tomem providência".
O caso ilustra a vulnerabilidade de cidadãos frente a supostos abusos de autoridade e a necessidade de agilidade nas investigações para garantir a segurança e a justiça. As autoridades envolvidas seguem apurando os fatos, enquanto a família clama por medidas concretas para pôr fim à situação de intimidação.



