Chefe da Polícia Civil do ES pede demissão para cuidar da saúde após denúncia
O governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, anunciou oficialmente na tarde desta segunda-feira, 6 de maio, a nomeação de Jordano Bruno Gasperazzo Leite como o novo delegado-geral da Polícia Civil do estado. A definição foi realizada após uma reunião estratégica no Palácio Anchieta, localizado em Vitória, capital capixaba. Jordano assume o comando da corporação no lugar do delegado José Darcy Arruda, que esteve à frente da instituição nos últimos anos e solicitou sua exoneração na semana passada.
Contexto da saída de Arruda e alegações de saúde
O pedido de exoneração de José Darcy Arruda ocorreu na manhã da última sexta-feira, 3 de maio, apenas alguns dias após ele ter sido formalmente denunciado à Polícia Federal por suspeita de coação à testemunha. Em seu comunicado oficial, Arruda alegou problemas de saúde como motivo principal para a saída, além de mencionar a iminente publicação de sua aposentadoria. No entanto, a denúncia apresentada pelo delegado Alberto Roque Peres inclui outras acusações graves, como denunciação caluniosa, abuso de autoridade, prevaricação e obstrução de investigação de organização criminosa.
O governador Ferraço, em suas redes sociais, registrou reconhecimento e agradecimento pelo trabalho desenvolvido por Arruda ao longo dos últimos anos, destacando que sua atuação contribuiu para fortalecer a Polícia Civil e para os resultados positivos alcançados pelo Espírito Santo na redução da criminalidade. A denúncia contra Arruda está relacionada à Operação Turquia, conduzida pelo Gaeco do Ministério Público do Espírito Santo em conjunto com a Polícia Federal, que investiga desvios e comercialização de armas e drogas apreendidas por policiais do Denarc.
Perfil e experiência do novo delegado-geral
Jordano Gasperazzo, natural de Vitória, é formado em Direito pelo Centro Universitário do Espírito Santo (Unesc) e possui especializações em Direito Público, Direito e Políticas, e Gestão em Segurança Pública. Com uma carreira extensa na Polícia Civil, ele acumulou experiência tanto operacional quanto administrativa, tendo sido titular de delegacias em municípios como Fundão, João Neiva e Praia Grande, além de comandar unidades especializadas, incluindo as delegacias de Segurança Patrimonial, de Crimes Contra o Transporte de Pessoas e Cargas, e de Roubo a Bancos.
Antes da nomeação, Jordano ocupava o cargo de subsecretário de Estado de Inteligência, onde ganhou destaque pela atuação estratégica e pelo uso intensivo de tecnologia nas investigações. Ele também atuou em setores estratégicos da corporação, como o Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc), o Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc), e a Divisão Patrimonial. Na área de inteligência, desempenhou funções como gerente de Operações Técnicas da Subsecretaria de Estado de Inteligência.
Foco em tecnologia e modernização da segurança pública
Um dos principais focos da atuação de Jordano Gasperazzo tem sido a integração tecnológica na segurança pública. Ele participou ativamente da implementação de projetos inovadores, como a Delegacia Online, o Portal Sisp, o sistema de Business Intelligence da Secretaria de Segurança Pública e o Cerco Inteligente. Além disso, o delegado esteve envolvido na implantação de ferramentas avançadas, incluindo o Inquérito Digital, o Teleflagrante e o programa Recupera, bem como na integração entre a polícia e o Poder Judiciário por meio do sistema Conetjud (PJe).
Segundo o governo do estado, a escolha de Jordano reforça a proposta de modernização e aumento da eficiência na segurança pública capixaba. A expectativa é que sua vasta experiência contribua significativamente para o fortalecimento das ações de combate ao crime no Espírito Santo, promovendo uma gestão mais ágil e tecnologicamente avançada.
Desdobramentos da denúncia e investigações em curso
A denúncia contra José Darcy Arruda foi apresentada pelo delegado Alberto Roque Peres, que já prestou depoimento em uma investigação federal. O material também foi encaminhado ao Ministério Público do Espírito Santo para análise e possíveis medidas legais. Arruda, em nota oficial, negou todas as acusações, afirmando que não tentou coagir o delegado e que sua intenção foi convidá-lo a apresentar documentos citados no depoimento à Polícia Federal.
Além disso, Arruda informou que pediu à Corregedoria da Polícia Civil um levantamento de investigações envolvendo o policial Eduardo Tadeu Ribeiro Batista da Cunha, conhecido como Dudu, que é apontado como o maior traficante do Espírito Santo e está sob investigação por desvio e venda de drogas apreendidas. Indícios de irregularidades envolvendo esse agente foram comunicados à Corregedoria desde 2017, mas o caso permanece em aberto.
O delegado Alberto classificou as medidas adotadas por Arruda como retaliação, argumentando que poderiam comprometer a segurança de testemunhas e caracterizar quebra de sigilo. A investigação interna formalizada pela Corregedoria, assinada por Arruda, solicita a apuração das ações de Alberto, criando um cenário complexo de disputas dentro da corporação.



