Cães farejadores são usados em buscas por família desaparecida há 50 dias no RS
Cães farejadores buscam família desaparecida há 50 dias no RS

Buscas intensificadas com cães farejadores em caso de família desaparecida no Rio Grande do Sul

Equipes da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros retomaram as buscas com cães farejadores nesta segunda-feira (16) em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, para tentar localizar três membros de uma mesma família que estão desaparecidos há 50 dias. As vítimas são Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e seus pais, Isail Aguiar, de 69, e Dalmira Aguiar, de 70, não vistos desde os dias 24 e 25 de janeiro.

Eficácia dos cães em áreas delimitadas

De acordo com as autoridades, o uso de cães farejadores só é considerado eficaz quando as buscas ocorrem em territórios específicos e delimitados. Os cães possuem uma capacidade olfativa impressionante, com cerca de 200 milhões de células olfativas, em comparação com os aproximadamente 5 milhões dos seres humanos. Isso permite que detectem e diferenciem uma vasta gama de odores, tornando-os ferramentas valiosas em investigações criminais.

Investigação aponta para crime grave

A polícia praticamente descarta a possibilidade de encontrar a família com vida, uma vez que as contas bancárias de Silvana, Isail e Dalmira não tiveram nenhuma movimentação financeira durante o período de desaparecimento. "Nenhuma pessoa ficaria mais de 40 dias fora da sua residência sem fazer movimentações financeiras para subsistir. Não condiz com a realidade", afirma o delegado Anderson Spier.

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A principal linha de investigação indica que se trata de um feminicídio contra Silvana, duplo homicídio dos pais e ocultação de cadáveres. O único suspeito é o policial militar e ex-companheiro de Silvana, Cristiano Domingues Francisco, que está preso temporariamente desde 10 de fevereiro.

Operações recentes e apreensões

Na sexta-feira (13), as buscas ocorreram na Vila Anair, em uma residência ligada a um familiar do suspeito. Foram verificados pelo menos quatro locais, incluindo áreas rurais de Cachoeirinha e Gravataí. Durante as operações, a polícia apreendeu:

  • Um telefone celular
  • Um notebook
  • Dois veículos para perícia

Esses bens pertencem a familiares do principal suspeito. Além disso, na semana passada, em cumprimento a um mandado de busca e apreensão na casa de um amigo do PM, foram apreendidos um celular, um pen drive, um HD externo e um videogame, com o objetivo de checar o álibi do suspeito.

Contexto do caso e linha do tempo

O desaparecimento da família Aguiar tem mobilizado as autoridades desde janeiro. Silvana já integra a lista oficial de vítimas de feminicídio no Rio Grande do Sul em 2026. A investigação revelou que uma publicação em suas redes sociais sobre um acidente em Gramado era falsa, possivelmente para despistar o crime.

Principais eventos da investigação:

  1. 24 de janeiro: Silvana é vista pela última vez; câmeras de segurança registram movimentação atípica de veículos em sua residência.
  2. 25 de janeiro: Os pais saem para procurá-la e também desaparecem.
  3. 10 de fevereiro: Cristiano é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita.
  4. 24 de fevereiro: Perícia confirma que o celular de Silvana nunca esteve em Gramado, corroborando a tese de despiste.

Posição da defesa e próximos passos

O advogado Jeverson Barcellos, que representa Cristiano, afirmou em nota que mantém "efetiva colaboração com as autoridades" e que analisará a decisão de prorrogação da prisão para eventual pedido de habeas corpus. Com a prorrogação, a polícia espera concluir o inquérito em até 30 dias, enquanto continua a busca por evidências e corpos em áreas de matas e rios próximos a Cachoeirinha.

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As investigações também incluem a análise de amostras de sangue encontradas no pátio da residência da vítima e a tentativa de identificar o proprietário de um carro vermelho que entrou na casa de Silvana no dia do desaparecimento. A comunidade local segue atenta, com protestos pedindo solução para este caso trágico que chocou a região.