Capitão da Rocam é preso em operação do MP-AM que investiga morte de jovem em Manaus
O capitão da Polícia Militar do Amazonas, Wilkens Diego Feitosa da Silva, integrante da tropa especializada Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam), foi preso preventivamente nesta sexta-feira (13) no âmbito da operação "Simulacrum", deflagrada pelo Ministério Público do Amazonas. A ação investiga a morte do jovem João Paulo Maciel dos Santos, ocorrida em outubro de 2025 na Zona Oeste de Manaus.
Operação resulta em múltiplas prisões de policiais militares
A operação "Simulacrum" autorizou 38 mandados judiciais, incluindo:
- 11 mandados de prisão preventiva
- 19 mandados de busca e apreensão
- 8 medidas cautelares diversas da prisão
No total, dez policiais militares foram presos preventivamente. A decisão partiu da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, com base em denúncias do Ministério Público contra 19 policiais militares.
Acusações e contexto do caso
As acusações formais incluem:
- 11 denúncias por homicídio qualificado
- 12 denúncias por fraude processual
Quatro dos investigados respondem simultaneamente pelos dois crimes. O caso ganhou notoriedade após a divulgação de imagens que mostram policiais levando João Paulo vivo para um beco e, minutos depois, saindo do local carregando seu corpo enrolado em um pano.
Trajetória do capitão Wilkens na Polícia Militar
Wilkens Diego Feitosa da Silva ingressou na Polícia Militar do Amazonas em 2008, após aprovação em concurso público para soldado combatente masculino. Sua carreira evoluiu da seguinte forma:
- 2009: Conclusão do curso de formação de soldados
- 2014: Nomeação como aspirante a oficial
- 2018: Promoção a 2º Tenente por tempo de serviço
O oficial assumiu funções de comando de pelotão e integrou a Rocam, com atuação destacada na Companhia de Motopatrulhamento Tático. Em 2017, recebeu a Medalha "Ação Policial Militar - 1º Tenente QOPM Edilson Matias Barbosa", concedida a profissionais que se destacaram por dedicação, empenho e coragem em suas funções.
Versões conflitantes sobre a morte de João Paulo
Segundo informações da Rocam, os policiais foram ao local após denúncia anônima sobre venda de entorpecentes por criminosos armados. Os agentes solicitaram apoio e iniciaram perseguição, alegando terem sido atacados a tiros ao entrarem em uma passagem lateral de residência.
Contudo, moradores e testemunhas contestam essa versão. Gravações mostram policiais abordando um homem sem camisa, que levou as mãos à cabeça e foi revistado sem demonstrar reação. Pelo menos um policial aparece levando o homem para a passagem lateral, enquanto cerca de seis agentes permanecem no local da abordagem. Pouco depois, dois policiais saem carregando um corpo.
Repercussões e posicionamentos institucionais
A Polícia Militar emitiu nota destacando que a maioria de seus profissionais atua na proteção da população, reafirmando compromisso com a legalidade e o interesse público. A defesa da família de João Paulo Maciel dos Santos manifestou-se após a operação, considerando-a um "passo importante para o esclarecimento do caso".
Advogados da família apontaram que laudos periciais indicaram disparos de arma de fogo que atingiram órgãos vitais da vítima e revelaram inconsistências na versão inicial dos policiais, que alegavam confronto. Moradores da região relataram medo após o caso e disseram ter ficado aliviados com as prisões e afastamento dos policiais investigados.
Lista de policiais com mandados de prisão
Além do capitão Wilkens Diego Feitosa da Silva, tiveram mandados de prisão expedidos:
- Cabo Fernanda Braga de Oliveira
- Soldado Luilson Marlon Valentim
- Soldado Rudicimar Cunha Cativo
- Soldado Tiago Salim de Lima
- Soldado Jean Thiago Correia Negreiros
- Terceiro sargento Alain José Campos da Silva Junior
- Soldado Humberto Gondim Barbosa Neto Passo
- Cabo Marcel Alves de Paiva
- Soldado Denis Ferreira de Souza
- Soldado Gelson Zanelato Filho
O processo segue em tramitação na 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, enquanto investigações complementares são realizadas por meio de mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos policiais.



