As buscas pelo corpo de Dagmar Grimm Streger, de 76 anos, completaram duas semanas nesta quarta-feira (14) em um sítio na região do Rio Verde, em Bauru (SP). A operação, que reúne Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Secretaria de Obras do município, concentra-se em um poço desativado de aproximadamente 35 metros de profundidade localizado na propriedade da idosa, desaparecida desde o dia 19 de dezembro.
Confissão informal e prisão do casal de caseiros
O foco das escavações no poço surgiu após um casal de caseiros que morava no local confessar informalmente o crime. De acordo com o delegado Luciano Faleiro Rezende, eles relataram ter dado uma paulada na cabeça de Dagmar e, sem saber o que fazer, jogado o corpo no poço desativado. "Eles acabaram confessando que teriam matado a dona Dagmar e a jogado no poço", afirmou o delegado. No entanto, durante o depoimento formal, o casal optou por permanecer em silêncio, reservando sua manifestação para o juízo.
Os dois suspeitos foram detidos no dia 24 de dezembro em Salto do Itararé, no Paraná, quando tentavam trocar de veículo. Eles haviam fugido com o carro da vítima, que foi posteriormente localizado em Tatuí (SP), onde teria sido trocado por uma caminhonete.
Operação de buscas atinge marca crítica
As escavações no sítio começaram em 30 de dezembro e, até o momento, já removeram mais de 20 metros de terra do poço. Segundo o coordenador da Secretaria de Obras de Bauru, Téo Zacarias, ainda restam cerca de 15 metros de profundidade a serem escavados. O trabalho é complexo e lento, exigindo a retirada cuidadosa do material em camadas de aproximadamente 70 centímetros.
Para garantir a segurança das equipes e permitir o acesso do maquinário pesado, foi necessária a demolição da casa da idosa. A estrutura impedia a ampliação do diâmetro da abertura do poço, etapa crucial para alcançar os níveis mais profundos com segurança.
Investigação aponta motivação financeira
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o crime teve motivação financeira. Dagmar mantinha uma relação de proximidade e generosidade com os caseiros. Ela havia doado um terreno para o casal, depois o recomprou e presenteou-os com um carro. A investigação agora apura se existiam dívidas dos suspeitos com a idosa.
Francisco Aparecido Lopes Barbosa, amigo de Dagmar que acompanha as buscas, confirmou a relação de dependência. Ele relatou que o casal usava frequentemente o carro e os bens da idosa e que, com o tempo, a rotina de trabalho no sítio foi abandonada, deixando todos os cuidados por conta da própria Dagmar.
Até o momento, nenhum familiar da vítima se identificou perante a polícia. As buscas continuam sem previsão de término, com três máquinas da prefeitura trabalhando no local sob coordenação das autoridades.