Protestos no Irã: mortes superam 2.500 e repressão se intensifica
Mortes em protestos no Irã passam de 2.500, diz ONG

Os protestos que abalam o Irã desde o final de dezembro já resultaram em um número alarmante de vítimas fatais, segundo dados divulgados por uma organização de direitos humanos. O balanço mais recente aponta para uma escalada dramática da violência, com o total de mortos superando amplamente qualquer onda de manifestações recente no país.

Números chocantes e uma repressão que não cede

A Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HDRANA), sediada nos Estados Unidos e formada por iranianos no exílio, divulgou na terça-feira, 13 de janeiro de 2026, um levantamento devastador. De acordo com a organização, pelo menos 2.571 pessoas perderam a vida desde o início dos protestos, em 28 de dezembro.

Desse total, a grande maioria, 2.403 indivíduos, eram manifestantes. Outras 147 vítimas tinham alguma ligação com o governo. O relatório também registra a morte de 12 crianças e de nove civis que não participavam diretamente dos atos. O número de detidos já ultrapassa a marca de 18.100 pessoas.

Skylar Thompson, representante da HDRANA, classificou os números como chocantes em entrevista à Associated Press. Ele destacou que, em apenas duas semanas, o total de vítimas já é quatro vezes maior do que o registrado durante os protestos de 2022, desencadeados pela morte de Mahsa Amini. Thompson ainda afirmou que a organização considera seu balanço conservador.

A resposta do regime e a dificuldade de apuração

Pela primeira vez, a televisão estatal iraniana reconheceu, também na terça-feira, um elevado número de mortes. Um apresentador leu um comunicado que falava em “muitos mártires” durante os confrontos, atribuindo a responsabilidade a “grupos armados e terroristas”. No entanto, não foram divulgados dados oficiais pelo governo.

Veículos estatais informaram, com base em dados da organização Human Rights Iran, que ao menos 121 integrantes das forças de segurança, militares e do Judiciário morreram. A mesma fonte estima que o número real de vítimas da repressão possa chegar a até 12 mil.

A verificação independente dos fatos enfrenta enormes obstáculos. O Irã mantém um bloqueio amplo da internet, embora moradores tenham conseguido retomar chamadas internacionais na terça-feira. Essa censura dificulta a confirmação de relatos e a dimensão real da crise.

Cenário econômico e endurecimento da repressão

Os protestos começaram em Teerã, impulsionados inicialmente por comerciantes e setores econômicos fortemente afetados pela crise. A inflação anual no país supera 42%, e o rial, moeda iraniana, perdeu cerca de 69% do seu valor frente ao dólar ao longo do último ano. Este cenário é agravado pelas sanções internacionais relacionadas ao programa nuclear iraniano.

As manifestações se espalharam rapidamente para mais de 100 cidades. Inicialmente, as autoridades reagiram de forma mais moderada, mas a postura se tornou progressivamente mais dura. Com o avanço da repressão, os manifestantes passaram a ser classificados publicamente como terroristas ligados aos Estados Unidos e a Israel.

Relatos alarmantes indicam que já há condenações à morte de pessoas detidas durante os protestos. A organização Folhapress noticiou que Teerã marcou a primeira execução de um manifestante por envolvimento nos atos, um sinal sombrio do caminho que a repressão pode tomar.

O novo total de mortes, que saltou de 2.003 no balanço anterior para os atuais 2.571, não só supera qualquer onda de protestos das últimas décadas no Irã, mas também remete ao nível de violência observado durante a Revolução Islâmica de 1979, marcando um momento crítico para o país.