Irã planeja executar Erfan Soltani, 26 anos, em caso que pode ser o 1º de protestos
Irã planeja executar manifestante de 26 anos nesta quarta

O Irã se prepara para realizar, nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, a execução de Erfan Soltani, um jovem de 26 anos. Este caso marca o que pode ser a primeira pena de morte amplamente divulgada relacionada aos recentes protestos que abalam o país, gerando condenação internacional e elevando a tensão geopolítica na região.

Um processo rápido e sem transparência

De acordo com informações da organização curda de direitos humanos Hengaw, Soltani foi preso em sua casa na cidade de Fardis, província de Karaj, no dia 6 de janeiro. Apenas quatro dias depois, sua família foi notificada pelas autoridades iranianas de que a execução estava marcada para o dia 14.

O processo judicial foi extremamente rápido e careceu de transparência, segundo relatos da ONG. A Hengaw afirma que o jovem não teve direito a um advogado de defesa. Em entrevista à BBC, Awyer Shekhi, da organização, detalhou que a irmã de Soltani, que é advogada, tentou intervir no caso, mas foi informada de que nada mais poderia ser feito.

Um parente não identificado contou à emissora britânica que todo o trâmite legal durou apenas dois dias. Até o momento, o judiciário iraniano não se pronunciou oficialmente sobre o caso, e o bloqueio de internet imposto pelo governo dificulta o acesso a informações confiáveis.

Quem era Erfan Soltani?

Erfan Soltani era um jovem de 26 anos que trabalhava na indústria do vestuário e havia começado um novo emprego em uma empresa privada. Nas redes sociais, ele compartilhava seu interesse por musculação, esportes, moda e estilo pessoal.

Segundo o portal IranWire, Soltani vinha recebendo mensagens ameaçadoras de agentes de segurança antes de ser detido. Ele chegou a alertar familiares sobre estar sob vigilância, mas mesmo assim continuou a participar ativamente dos protestos contra o governo iraniano.

A Hengaw informou que a família teve apenas uma breve oportunidade para uma última visita antes da execução prevista.

Protestos e repressão brutal

Os protestos no Irã começaram em 28 de dezembro, inicialmente impulsionados por comerciantes insatisfeitos com a desvalorização da moeda local, o rial, frente ao dólar. O movimento rapidamente ganhou adesão de estudantes universitários e se espalhou por diversas cidades.

A repressão do regime tem sido violenta. A ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, estima que aproximadamente 3.400 pessoas tenham sido mortas e outras 18 mil detidas desde o início dos levantes.

Ameaça de intervenção internacional e tensão regional

A iminência da execução de Soltani provocou uma reação imediata do governo dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump afirmou que o país agiria "de maneira muito firme" caso o Irã levasse a pena capital adiante. Trump já havia usado as redes sociais para incentivar os manifestantes iranianos, declarando que "a ajuda está a caminho".

A resposta de Teerã foi contundente. O governo iraniano indicou a possibilidade de atacar bases americanas no Oriente Médio em caso de intervenção. Três diplomatas americanos disseram à Reuters que alguns militares foram aconselhados a deixar a base aérea de Al Udeid, no Catar, até a noite desta quarta-feira. A medida foi descrita como uma "mudança de postura" e não uma evacuação em massa.

Autoridades israelenses ouvidas pela agência afirmaram que Trump já decidiu pela intervenção, mas o alcance e o momento da operação permanecem indefinidos. Enquanto isso, um oficial iraniano relatou que os contatos diretos entre o chanceler do Irã, Abbas Araqchi, e o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, foram suspensos. Teerã também estaria pressionando aliados regionais dos EUA, como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Turquia, para conter uma possível ação militar de Washington.

O caso de Erfan Soltani se transformou em um símbolo da brutal repressão iraniana e em um potencial estopim para um conflito de proporções internacionais, colocando em risco a frágil estabilidade do Oriente Médio.