Irã nega execução de Erfan Soltani, mas repressão a protestos já deixou milhares de presos
Irã nega execução de manifestante Erfan Soltani

A Justiça do Irã emitiu um comunicado oficial nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, negando que o manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, tenha sido condenado à pena de morte. A declaração ocorre após alertas de organizações não governamentais e do governo dos Estados Unidos sobre a iminência da primeira execução de um detido na recente onda de protestos que sacode o país.

O Caso de Erfan Soltani e a Resposta Judicial

Segundo o órgão judiciário iraniano, cuja nota foi divulgada pela televisão estatal, Soltani está preso na cidade de Karaj, nas proximidades de Teerã. Ele responde por acusações de propaganda contra o regime islâmico e por agir contra a segurança nacional. No entanto, a Justiça foi enfática ao afirmar que, para esses crimes, a legislação prevê apenas pena de prisão, e não a execução.

"O jovem não foi condenado à morte e, em caso de ser considerado culpado, a punição, de acordo com a lei, será uma pena de prisão, pois a pena de morte não se aplica a tais acusações", diz trecho do comunicado. Esta versão contradiz diretamente os alertas feitos por entidades internacionais.

Alertas Internacionais e Contexto dos Protestos

Tanto a Anistia Internacional quanto o Departamento de Estado norte-americano haviam declarado possuir informações concretas sobre a condenação à morte de Soltani. O grupo de direitos humanos Hengaw, com sede na Noruega, chegou a informar que a execução por enforcamento estava marcada para quarta-feira, 14 de janeiro, tendo sido adiada em última hora.

Os protestos no Irã começaram há duas semanas, motivados inicialmente por uma grave espiral inflacionária e o aumento do custo de vida. Rapidamente, os atos se transformaram em um movimento mais amplo de contestação ao governo teocrático instalado desde a Revolução Islâmica de 1979.

As autoridades iranianas responderam com uma das repressões mais severas dos últimos anos. Para conter a divulgação de informações, o governo chegou a cortar o acesso à internet no país na última sexta-feira.

Balanço Severo da Repressão e Julgamentos Rápidos

De acordo com a ONG Iran Human Rights (IHR), também sediada na Noruega, o saldo da repressão é alarmante. Pelo menos 3.428 manifestantes teriam sido mortos pelas forças de segurança, e mais de 10 mil pessoas foram presas. A organização ressalta que os números reais provavelmente são muito superiores.

Em meio a este cenário, a Justiça iraniana anunciou na quarta-feira, 14, que implementará julgamentos "rápidos" para os milhares de detidos durante as mobilizações. A medida aumenta o temor da comunidade internacional sobre violações ao devido processo legal e ao direito a uma defesa justa.

O caso de Erfan Soltani tornou-se um símbolo da tensão entre a narrativa oficial do regime e os relatos de organizações de direitos humanos. Enquanto o governo tenta negar a aplicação da pena capital para manifestantes, vozes de dentro do próprio sistema, incluindo algumas autoridades, já haviam ameaçado publicamente com execuções os participantes dos protestos.