A deputada federal Erika Hilton usou suas redes sociais para denunciar uma série de ataques transfóbicos direcionados à atriz Bruna Marquezine. Segundo a parlamentar, os ataques partem de grupos norte-americanos que, ao verem a artista brasileira ao lado do cantor Shawn Mendes, passaram a difamar Bruna com a falsa alegação de que ela seria uma mulher trans.
O contexto dos ataques transfóbicos
Em uma publicação na plataforma X, antigo Twitter, Erika Hilton detalhou que os ataques começaram após imagens de Bruna Marquezine e Shawn Mendes juntos circularem nos Estados Unidos. A deputada descreveu os agressores como "um bando de esquisitões e incels", termo usado para se referir a homens involuntariamente celibatários que frequentemente manifestam misoginia online.
"Nos EUA, ao verem a Bruna Marquezine, com traços que o povo de lá enxerga como traços latinos, andando ao lado de Shawn Mendes, um bando de fracassados que passa o dia na internet atacando pessoas trans decidiu que Bruna Marquezine é uma de nós, e que ela deve ser atacada por isso", escreveu Hilton. O episódio ocorreu em 16 de janeiro de 2026.
Transfobia além da comunidade trans
Erika Hilton, que é uma das primeiras deputadas trans eleitas no Congresso Nacional, aproveitou o caso para fazer uma reflexão mais ampla sobre a natureza do preconceito. Ela argumentou que a transfobia não é um problema que afeta exclusivamente pessoas transgênero.
"A transfobia pode afetar qualquer pessoa diferente dos padrões estabelecidos em determinada sociedade. Especialmente as mulheres não brancas. E, definitivamente, não é a primeira vez que isso acontece com uma mulher cis", pontuou a deputada.
Para ilustrar seu argumento, Hilton lembrou um caso ocorrido no ano anterior envolvendo a brasileira Thais Matsufugi. Thais, uma mulher cisgênero com traços japoneses, foi alvo de ódio de parte da comunidade gamer mundial após estrelar uma campanha publicitária para o jogo Assassin's Creed. Na ocasião, agressores também a atacaram sob a falsa premissa de que ela seria uma mulher trans.
Um padrão de violência digital
Os relatos destacados por Erika Hilton revelam um padrão preocupante de violência online, onde a transfobia é utilizada como arma contra qualquer mulher que não se encaixe em estereótipos estéticos rígidos, muitas vezes racistas e eurocêntricos. A parlamentar enfatiza que mulheres latinas, asiáticas e não brancas em geral são alvos frequentes desse tipo de ataques, que misturam machismo, racismo e transfobia.
O caso de Bruna Marquezine chama a atenção por envolver uma das atrizes mais populares do Brasil, mostrando que ninguém está imune a essa onda de ódio digital. A situação também evidencia como narrativas transfóbicas criadas em contextos internacionais, como nos Estados Unidos, podem cruzar fronteiras e atingir personalidades brasileiras.
A denúncia pública feita por uma autoridade como Erika Hilton serve não apenas para dar visibilidade ao sofrimento individual, mas para alertar a sociedade sobre a escalada da intolerância nas redes sociais e a necessidade urgente de combater discursos de ódio que têm consequências reais na vida das pessoas.