Snapchat fecha acordo para encerrar processo pioneiro sobre dependência em redes sociais
Snapchat fecha acordo em processo sobre dependência digital

Snapchat fecha acordo histórico para encerrar processo sobre dependência em plataformas digitais

A Snap Inc., empresa criadora do aplicativo Snapchat, anunciou na quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, um acordo para encerrar um processo judicial pioneiro que a acusava de contribuir para a deterioração da saúde mental de seus usuários. O movimento ocorre pouco antes do início do julgamento marcado para o fim do mês na Califórnia, onde a empresa deveria se apresentar ao lado de outras gigantes tecnológicas como Meta, TikTok e YouTube.

Detalhes confidenciais e impacto legal significativo

Embora os termos financeiros do acordo permaneçam confidenciais, a resolução amistosa deve encerrar a ação aberta por uma jovem californiana de 19 anos, identificada apenas pelas iniciais K.G.M.. Em declaração enviada à agência de notícias AFP, a Snap afirmou estar "satisfeita por ter podido resolver este assunto de forma amistosa", destacando que continuará respondendo a outros processos judiciais em andamento.

Este caso representa a primeira de várias ações movidas por jovens, instituições educacionais e promotores públicos que buscam responsabilizar as redes sociais pelos efeitos negativos na saúde mental dos internautas. A estratégia jurídica adotada pelos demandantes retoma táticas similares às utilizadas contra a indústria do tabaco, focando não apenas no conteúdo publicado, mas no design das plataformas.

Acusações centrais e defesas das empresas

Os processos acusam as redes sociais de terem sido projetadas intencionalmente para maximizar o tempo de conexão dos usuários, utilizando algoritmos e funções de personalização que incentivam comportamentos como o scrolling contínuo. Segundo os demandantes, essas práticas estão diretamente ligadas ao aumento de casos de:

  • Depressão e ansiedade entre jovens
  • Transtornos alimentares
  • Pensamentos e tentativas de suicídio

Em sua defesa, as gigantes da tecnologia têm invocado a Seção 230 da Communications Decency Act, lei americana que concede imunidade quase total sobre o conteúdo publicado em suas plataformas. No entanto, os processos buscam ampliar a responsabilidade para incluir o design dos sistemas e algoritmos, argumentando que essas características são "intrinsecamente viciantes".

Contexto mais amplo e próximos passos judiciais

O acordo da Snapchat ocorre em um momento crucial, pois o caso de K.G.M. estava programado para ser examinado por um tribunal de Los Angeles a partir de 27 de janeiro, com início da seleção do júri e audiências previstas para começo de fevereiro. Antes da resolução, Evan Spiegel, diretor-executivo da Snap, havia sido convocado para depor, assim como outros executivos de plataformas envolvidas.

O processo na Califórnia corre paralelamente a outras ações judiciais significativas, incluindo:

  1. Uma ação apreciada por uma juíza federal em Oakland, no norte do estado
  2. Processos estaduais como o impulsionado por um promotor de Santa Fé, Novo México, que acusa as plataformas de expor menores a predadores sexuais

Apesar do acordo com a Snapchat, os julgamentos contra Meta, TikTok e YouTube continuam em andamento, com especial atenção ao depoimento aguardado de Mark Zuckerberg, diretor-executivo da Meta. Este caso pioneiro estabelece precedentes importantes que podem influenciar futuras regulamentações e responsabilizações no setor de tecnologia, especialmente considerando o crescente debate sobre os efeitos das redes sociais na saúde mental das novas gerações.