Vídeo em elevador mostra suspeitos comemorando após estupro coletivo em Copacabana
Vídeo mostra suspeitos comemorando após estupro coletivo no Rio

Vídeo em elevador expõe deboche após estupro coletivo em Copacabana

O programa Fantástico obteve acesso exclusivo a detalhes da investigação sobre o estupro coletivo de uma estudante de 17 anos ocorrido em um prédio de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. As imagens mais impactantes vêm de um vídeo gravado dentro do elevador instantes após o crime, onde um menor de idade e os outros agressores aparecem claramente comemorando e fazendo piadas em tom de deboche enquanto deixam o apartamento.

Nas gravações, um dos suspeitos chega a declarar: "A mãe de alguém teve que chorar, porque as nossas mães hoje...". O delegado responsável pelo caso, Angelo Lages, não escondeu sua indignação ao comentar as cenas: "Essas imagens são chocantes. Faltam até palavras e adjetivos para narrar o que representa esse tipo de conduta".

O crime que revelou um padrão de violência

O estupro, ocorrido em 31 de janeiro, transformou-se em um caso emblemático que expõe um suposto ciclo de violências sexuais cometidas, segundo a polícia, por um mesmo grupo de jovens vinculados ao Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. A estudante violentada por quatro homens e um menor de idade rompeu o silêncio semanas após o trauma, e seu relato encorajou outras adolescentes a revelarem que viveram situações semelhantes com os mesmos suspeitos.

O irmão da vítima foi a primeira pessoa a receber seu pedido de socorro: "Ela me mandou mensagem, falou: preciso de ajuda agora, é sério. Ela falou: acho que fui estuprada". A avó, que tem a guarda da menina, descreveu com emoção o momento em que soube da agressão: "Ela me abraçou e falou: 'mãe, desculpa'. Eu falei: 'desculpa de quê? Você não teve culpa'". Ao ajudar a neta a levantar o vestido, a avó encontrou hematomas graves pelo corpo: "Não era um roxo, era um roxo preto, em várias partes. Fiquei apavorada".

Detalhes da agressão e novas denúncias

A estudante foi convidada ao apartamento por um colega de escola, o menor de 17 anos, com quem já havia se relacionado anteriormente. O imóvel pertence à família de um dos suspeitos. Câmeras de segurança registraram a sequência de eventos:

  • Às 19h24, três dos cinco jovens entram no prédio
  • Às 19h25, a vítima chega acompanhada do menor

Segundo o depoimento da adolescente, ela foi levada ao quarto para namorar com o menor quando os outros quatro jovens invadiram o cômodo. Apesar de negar todas as tentativas de convencimento para ter relações com os amigos do garoto, eles a imobilizaram e trancaram a porta. Por aproximadamente uma hora, os cinco se revezaram nas agressões sexuais e físicas.

O delegado Angelo Lages confirmou que as lesões atestadas pelo Instituto Médico Legal são compatíveis com o relato da vítima. Após o crime, câmeras do prédio registraram o menor e a estudante deixando o apartamento, com os suspeitos celebrando no elevador. Posteriormente, o menor continuou frequentando a escola e, segundo a família da vítima, passou a rondar a irmã mais nova dela, de apenas 12 anos.

Outras vítimas rompem o silêncio

Com a divulgação do caso, outras jovens procuraram a polícia para relatar experiências semelhantes. Uma mãe contou que sua filha, então com 14 anos, foi violentada por parte do mesmo grupo há três anos: "Ela falou que também foi vítima de dois deles, pelo menos dois deles e, tinha um terceiro, que era maior... Eu só ouvi aconteceu, eles fizeram a mesma coisa comigo há três anos atrás. E eu não, eu não tive estômago".

Outra jovem, hoje maior de idade, descreveu ter sido abusada em uma festa por um dos acusados presos: "Ele começou a tentar empurrar a minha cabeça pra baixo, e eu falei, Vitor, eu não vou fazer isso aqui, e aí nisso ele continuou, só que eu já tava muito fraca, e aí eu acabei, assim, minhas pernas meio que cederam, eu caí, ele começou a forçar um sexo oral nele". Ela afirmou que nunca havia contado o ocorrido por não ter assimilado o trauma completamente, até ver o caso da adolescente de 17 anos.

A mesma jovem acusou o Colégio Pedro II de ter ignorado sinais anteriores. Em nota, a instituição afirmou que todas as denúncias são acolhidas e que abriu processo disciplinar que pode resultar no desligamento compulsório dos envolvidos.

Situação atual dos suspeitos

Os cinco agressores enfrentam diferentes situações legais:

  1. Quatro maiores de idade se entregaram e foram encaminhados ao sistema penitenciário
  2. O menor de 17 anos foi apreendido e levado ao Degase (Departamento Geral de Ações Socioeducativas)

As defesas de todos os acusados negam as acusações e afirmam que irão provar a inocência de seus clientes no decorrer do processo judicial. As investigações continuam enquanto novas denúncias surgem, revelando a extensão do suposto padrão de violência sexual atribuído ao grupo.