Suspeito de feminicídio é encontrado morto após sequestro por filhos da vítima em Mato Grosso
O corpo de Lourival Lucena Pinto Filho, de 32 anos, apontado pela Polícia Civil como principal suspeito pelo feminicídio de Gabia Socorro da Silva, de 38 anos, foi encontrado morto na zona rural de Confresa, a 1.160 km de Cuiabá, na manhã desta sexta-feira (13). A descoberta ocorreu três dias após o homem ter sido sequestrado pelos filhos da vítima, em um caso que envolve violência doméstica e vingança familiar.
Estado do corpo e localização do crime
Segundo o delegado responsável pelo caso, Onias Estevam Pereira Filho, o corpo estava em avançado estado de decomposição, a cerca de 37 quilômetros do local onde ocorreu o feminicídio. A polícia informou que a cabeça foi decapitada e o corpo também apresentava sinais de que havia sido queimado. O corpo foi encaminhado para a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), que deve apontar as causas da morte e ajudar a esclarecer as circunstâncias do crime.
Investigação e suspeitos
Conforme o delegado, quatro pessoas são investigadas pela morte de Lourival. Entre os principais suspeitos estão os três filhos da vítima:
- Daniel Max Silva, de 22 anos
- Leo Silva, de 19 anos
- Um adolescente de 16 anos
Histórico de violência doméstica
Lourival já havia sido preso anteriormente por agredir Gabia em um caso de violência doméstica, segundo a Polícia Civil. Em um dos casos, o suspeito foi preso em flagrante após a vítima relatar que foi agredida durante a madrugada. Na ocasião, ela decidiu renunciar ao pedido de medidas protetivas e o homem foi liberado após audiência de custódia. O histórico de violência entre o casal já havia sido registrado pela polícia.
Detalhes do feminicídio
Gabia foi assassinada na terça-feira (10) no distrito de Santo Antônio do Fontoura, em São José do Xingu, a 931 km de Cuiabá. Ela foi atingida por pelo menos três golpes de faca na região do abdômen, conforme análise preliminar da perícia. A polícia informou que o filho adolescente foi quem encontrou a mãe morta dentro de casa.
Segundo a investigação, após descobrirem a morte da mãe, três filhos de Gabia foram até a casa do suspeito, onde ele foi agredido. Em seguida, os jovens colocaram o homem em uma motocicleta e o levaram do local. Desde então, ele não foi mais visto. O pai do suspeito contou à polícia que ouviu dos jovens a ameaça de que eles matariam o homem.
Andamento das investigações
A Polícia Civil agora analisa o caso para verificar a possibilidade de pedir novas prisões no decorrer da investigação. O caso segue sendo investigado, com buscas por possíveis novos suspeitos. A juíza responsável pela Vara da Infância e Juventude entendeu que não havia requisitos para a internação provisória do adolescente.
Recursos para vítimas de violência doméstica
O aplicativo 'SOS Mulher MT' é uma das alternativas criadas para ajudar vítimas de violência doméstica em Mato Grosso. O aplicativo conta com um botão do pânico, por meio dele a vítima pode fazer um pedido de socorro quando o agressor descumprir a medida protetiva. A plataforma também oferece:
- Direcionamento à medida protetiva online
- Telefones de emergência
- Endereços das Delegacias da Mulher
- Plantão 24h
- Denúncias sobre violência doméstica
- Acesso à Delegacia Virtual para registro de ocorrências
A Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, cria mecanismos para prevenir e impedir a violência doméstica e familiar contra a mulher. A violência pode se manifestar de diversas formas:
- Violência física: espancamentos, estrangulamento, cortes
- Violência psicológica: ameaça, humilhação, manipulação
- Violência sexual: estupro, impedir uso de contraceptivos
- Violência patrimonial: controle do dinheiro, destruição de documentos
- Violência moral: calúnia, difamação, injúria
As medidas protetivas são ordens judiciais que buscam proteger pessoas que estejam em situação de risco, perigo ou vulnerabilidade. Qualquer mulher que esteja passando por uma situação de violência doméstica e familiar pode solicitar medida protetiva em delegacias, Ministérios Públicos ou na Defensoria Pública, sem necessidade de acompanhamento de advogado.



