Soldado da Polícia Militar é encontrada morta com tiro na cabeça em apartamento no Brás
Uma soldado da Polícia Militar do estado de São Paulo foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde residia, na manhã de quarta-feira (18), no bairro do Brás, região central da capital paulista. A vítima, identificada como Gisele Alves Santana, de 32 anos, era casada com um tenente-coronel da mesma corporação, fato que adiciona complexidade às investigações em curso.
Atendimento e socorro à vítima
Policiais militares que atenderam à ocorrência relataram que, ao chegarem ao local, uma Unidade de Suporte Avançado já realizava manobras de reanimação cardiopulmonar na soldado. Gisele foi socorrida em estado gravíssimo e transportada com urgência para o Hospital das Clínicas, também situado na região central de São Paulo. Infelizmente, os esforços médicos não foram suficientes, e a morte da militar foi oficialmente constatada às 12h04 do mesmo dia.
Relato do tenente-coronel marido da vítima
O tenente-coronel Geraldo Leite, marido de Gisele e com 53 anos de idade, prestou depoimento detalhado à polícia. Ele afirmou que, na manhã do ocorrido, entrou no banheiro do apartamento para tomar banho quando ouviu um barulho súbito. Ao sair do banheiro, deparou-se com a companheira caída no chão da sala, segurando uma arma de fogo e sangrando intensamente pela cabeça.
Geraldo explicou que, após a chegada dos militares, solicitou permissão para entrar no imóvel e tomar banho, pedido que inicialmente foi negado, mas posteriormente liberado conforme consta no boletim de ocorrência. Questionado sobre o motivo, ele justificou que precisaria ficar um longo período fora de casa, visitando diversos locais, e por isso necessitava trocar de roupa.
Contexto do relacionamento e eventos anteriores
Em seu depoimento, o tenente-coronel revelou que ele e Gisele viviam em quartos separados desde agosto de 2025, devido a constantes conflitos no relacionamento. Na manhã do incidente, ele teria ido ao quarto da esposa por volta das 7h para comunicar seu desejo de separação, afirmando que ainda a amava, mas acreditava ser melhor terminar a relação, que não estava funcionando.
Segundo Geraldo, Gisele reagiu de forma "exaltada", ordenou que ele saísse do quarto e bateu a porta com força. Ele então pegou uma toalha e se dirigiu ao banheiro para tomar banho, momento em que ouviu o barulho que o levou a descobrir a cena trágica.
Detalhes sobre a arma e medidas de segurança
O tenente-coronel informou que mantém sua arma sobre o armário do quarto onde dorme e que costuma trancar a porta desse cômodo desde que o casal passou a dormir separadamente. Ele justificou essa precaução ao relatar que, em um relacionamento anterior, Gisele teria jogado água quente em um ex-companheiro após uma discussão. No entanto, no dia dos fatos, ele afirma não ter trancado a porta do seu quarto como de costume, fechando apenas a do banheiro.
Reação imediata e atendimento psicológico
Após encontrar a esposa ferida, Geraldo declarou ter acionado imediatamente o resgate, a Polícia Militar e ligado para um amigo que é desembargador. Posteriormente, ele foi levado ao Hospital das Clínicas, onde recebeu atendimento psicológico no estacionamento do próprio hospital. Questionado, o homem afirmou que Gisele não fazia uso de medicamentos controlados, apenas de suplementos, e que o relacionamento deles não era aprovado pelos pais da vítima, que apoiavam seu relacionamento anterior.
Registro policial e apreensões
O caso foi registrado pela Polícia Civil como suicídio. Foram solicitadas perícias no local do ocorrido, bem como exames para identificar a presença de pólvora nas mãos de Gisele e de Geraldo. Entre os itens apreendidos estão uma pistola Glock .40 da Polícia Militar de São Paulo, três celulares, dois carregadores, dois cartuchos e uma bermuda pertencente ao tenente-coronel. A vítima deixa uma filha de 7 anos, fruto de um relacionamento anterior.
Depoimento da mãe da vítima
A mãe de Gisele prestou um depoimento impactante à polícia, descrevendo o relacionamento da filha com Geraldo como "extremamente conturbado". Ela acusou o tenente-coronel de ser uma pessoa abusiva e muito violenta, que proibia a vítima de usar batom, salto alto e perfume, além de cobrá-la rigorosamente para realizar diversas tarefas domésticas.
A mulher relatou que, em uma ocasião, quando a filha mencionou a possibilidade de separação, Geraldo teria enviado uma imagem para ela na qual apontava uma arma para a própria cabeça. Na sexta-feira anterior ao incidente (13), a mãe disse que Gisele ligou para ela chorando copiosamente, afirmando que não aguentava mais a pressão e queria se separar do marido. A soldado chegou a pedir que o pai a buscasse em casa, mas depois mudou de ideia, dizendo que ainda estava conversando sobre o término.
Histórico do relacionamento segundo o tenente-coronel
Geraldo declarou à polícia que conheceu Gisele em 2021 através de uma amiga em comum. O relacionamento foi oficializado em 2023 e o casamento ocorreu em 2024. No último ano, a relação teria se tornado "conturbada", com o tenente-coronel sendo alvo de várias denúncias anônimas na Corregedoria da Polícia Militar.
Ele acredita que os relatos eram uma forma de "vingança" possivelmente pelas mudanças que implementava no batalhão onde atuava. As denúncias o acusavam de supostamente se encontrar com uma amante durante o horário de serviço, com algumas contendo imagens que, segundo ele, teriam sido alteradas ou "possivelmente produzidas por IA" para corroborar as acusações.
O tenente-coronel afirmou que perfis falsos também enviaram mensagens para Gisele, acusando-o de ter amantes, o que gerava discussões frequentes no casal. Na sexta-feira (13), ao chegar em casa após o trabalho, ele encontrou suas roupas retiradas do armário e colocadas na sala pela esposa, que anunciou sua intenção de ir embora e se divorciar. Os conflitos continuaram nos dias seguintes, com brigas motivadas por ciúmes e questionamentos sobre supostos relacionamentos extraconjugais.
Informações sobre apoio e denúncia
Em casos de pensamentos suicidas, é fundamental buscar ajuda especializada através de serviços como o CVV (Centro de Valorização da Vida), disponível 24 horas pelo telefone 188, e os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) das cidades. Para situações de violência, especialmente contra mulheres, as denúncias podem ser feitas pelos números 190, 180 (Central de Atendimento à Mulher) e Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.