Personal trainer é condenado por agredir aluno em academia de Bauru; Justiça aplica multa de R$ 15 mil
A Justiça de Bauru, no interior de São Paulo, condenou a Marathon Academia de Ginástica e o personal trainer Ronaldo Aparecido Franzote ao pagamento de R$ 15 mil por danos morais a um aluno que sofreu agressões físicas e verbais dentro do estabelecimento. O caso, que ocorreu em maio de 2023, foi registrado por câmeras de segurança e gerou ampla repercussão na cidade.
Decisão judicial reconhece ato ilícito e responsabilidade da academia
Na sentença proferida nesta quarta-feira (25) pela 3ª Vara Cível de Bauru, a juíza Ana Carolina Achoa Aguiar Siqueira de Oliveira reconheceu que o personal trainer praticou um ato ilícito ao agredir fisicamente o aluno, causando lesão corporal leve e sofrimento emocional significativo. A magistrada destacou que a academia falhou na prestação do serviço ao permitir que o agressor atuasse normalmente no local, não adotar medidas para conter o conflito e não tomar providências contra ele após o ocorrido.
A decisão estabelece que a academia e o personal trainer responderão solidariamente pelo pagamento da indenização de R$ 15 mil, corrigidos monetariamente e acrescidos de juros de mora desde a citação. Isso significa que a vítima pode cobrar o valor total de qualquer um dos réus, sem necessidade de divisão inicial. A seguradora do estabelecimento foi excluída da condenação, pois a apólice não cobre atos de pessoas sem vínculo formal com a empresa.
Imagens de câmera mostram violência e contexto do caso
As câmeras de segurança da própria academia registraram o início das agressões do personal trainer Ronaldo Aparecido Franzote contra o aluno. Nas imagens, é possível ver o momento em que o aluno aborda o professor e mostra algo no celular, seguido por uma discussão que rapidamente escalou para violência física. O educador físico começou a empurrar a vítima, e mesmo com a tentativa de um colega de trabalho contê-lo, as agressões continuaram.
Conforme relato do aluno no boletim de ocorrência, as agressões começaram após ele questionar o uso de meias para executar um exercício com o professor. A vítima afirmou que o personal trainer começou a xingá-lo e ameaçá-lo, dizendo que iria "lhe mandar para o hospital e lhe matar" caso o visse fora da academia. Durante a briga, o instrutor o pegou pela gola da camisa, empurrou-o contra a parede, agarrou-o pelo pescoço e deu três tapas no rosto.
Contexto de perseguição e resolução criminal
O aluno revelou ao g1 na época que sofria perseguição desde que começou a frequentar a academia em 2016, com a maioria dos comentários sendo de cunho homofóbico por conta de sua bissexualidade. "Ele sempre fez comentários sobre minhas roupas, sobre o rapaz com quem eu tinha um caso. Sempre foi agressivo, inclusive nas redes sociais", contou a vítima.
Na esfera criminal, Ronaldo Aparecido Franzote assinou um termo circunstanciado, comprometendo-se a pagar R$ 900 a entidades beneficentes, o que evitou a continuidade do processo criminal. A juíza ressaltou em sua decisão a gravidade da agressão e o fato de Ronaldo ser ex-lutador profissional de boxe, o que aumentou o potencial ofensivo do ataque.
A reportagem do g1 entrou em contato com a Marathon Academia de Ginástica para comentar a decisão, mas não recebeu retorno até a última atualização desta matéria. A defesa de Ronaldo Aparecido Franzote também não foi localizada para se manifestar sobre o caso. Por se tratar de uma decisão de primeira instância, cabe recurso aos envolvidos.



