Padrasto suspeito de envenenar menina gravou vídeo com ameaças antes do crime
Padrasto gravou vídeo com ameaças antes de envenenar menina

Padrasto suspeito de envenenar menina gravou vídeo com ameaças antes do crime em Goiás

A tragédia que chocou a cidade de Alto Horizonte, no norte de Goiás, ganhou novos detalhes reveladores. Nábia Rosa Pimenta, mãe da menina Weslenny Rosa Lima, de 9 anos, que morreu envenenada após um jantar familiar, revelou à polícia que o padrasto das crianças enviou a ela um vídeo com ameaças pouco antes do ocorrido fatal.

Vídeo ameaçador enviado em visualização única

Segundo depoimento de Nábia à Polícia Civil, o vídeo foi enviado pelo suspeito Ronaldo Alves de Oliveira, de 46 anos, em modo de visualização única. Nas imagens, Ronaldo aparece visivelmente emocionado e faz referências a "dar um jeito na vida dos outros". A mãe interpretou o conteúdo como uma ameaça direta a ela e às crianças, especialmente considerando as tensões que marcavam o fim do relacionamento.

"Ele teria motivos de sobra para me atacar, porque eu já vinha falando há muito tempo que não dava mais. E ele não aceitava o fim. O meu medo é esse: para achar uma maneira de me atacar, ele ter atacado eles", declarou Nábia em entrevista exclusiva à TV Anhanguera.

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Morte por envenenamento e internação do irmão

Weslenny faleceu no sábado (28), horas após participar de um jantar familiar que incluía arroz, feijão e carne moída. Seu irmão, de 8 anos, também passou mal após a mesma refeição e permanece internado no Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), em estado grave mas estável.

Laudos periciais confirmaram que a causa da morte da menina foi envenenamento por chumbinho, mesma substância tóxica encontrada no arroz consumido durante a refeição familiar. A polícia destacou que o quadro clínico evoluiu de forma atípica, descartando uma simples infecção alimentar.

Investigação aponta para crime qualificado

Ronaldo Alves de Oliveira está preso desde 1º de abril e é investigado por feminicídio triplamente qualificado e tentativa de homicídio triplamente qualificado. O delegado Domênico Rocha, responsável pelo caso, afirmou que as declarações do suspeito no vídeo podem indicar uma intenção premeditada.

"Ele próprio declarou no vídeo que estava disposto a fazer algo com ele mesmo e com outras pessoas. Então ele pode ter dosado a concentração para ele e para as crianças", explicou o delegado durante coletiva de imprensa.

Novos elementos da investigação

A Polícia Civil continua aprofundando as investigações com várias linhas de apuração:

  • Análise de aparelhos celulares apreendidos na residência
  • Coleta de novos depoimentos de testemunhas e familiares
  • Conclusão de laudos periciais complementares
  • Investigação sobre a morte de quatro gatos que consumiram restos da comida descartada

O irmão sobrevivente já foi ouvido pela polícia e relatou episódios de agressão física por parte do padrasto, tanto contra ele quanto contra a irmã falecida. Esses relatos contradizem a versão apresentada pela defesa de Ronaldo.

Defesa alega inocência e vídeo antigo

Em nota oficial, a defesa de Ronaldo Alves de Oliveira afirmou que o vídeo em questão foi gravado há mais de três anos e que não há histórico de agressões contra as crianças. Os advogados declararam ter recebido a notícia da prisão com naturalidade e orientaram o cliente a se apresentar espontaneamente à delegacia.

"A defesa recebeu a notícia da prisão com naturalidade e, por acreditar na inocência de Ronaldo, orientou que ele se apresentasse espontaneamente à autoridade policial, justamente para colaborar com os esclarecimentos e demonstrar sua inocência", diz trecho da nota divulgada pela defesa.

Últimos momentos da vítima

Nábia descreveu com detalhes os momentos finais da filha. Horas após o jantar, Weslenny começou a vomitar, sentir fortes dores abdominais e ter crises convulsivas. A mãe encontrou a filha chorando no quarto, com o corpo gelado e visivelmente debilitada.

"Eu entrei lá no quarto, aí ela tava chorando. 'Mãe, minha barriga tá doendo'. E ela geladinha. Eu vi que ela não tava normal. Ela falou assim: 'Mãe, eu não tô aguentando, me leva pro hospital'", relatou a mãe, emocionada.

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A menina chegou a apresentar uma breve melhora inicial, mas seu quadro clínico deteriorou rapidamente após uma parada cardiorrespiratória, levando ao óbito poucas horas depois da internação hospitalar.

Alimentos apreendidos e cena do crime

A polícia apreendeu todos os alimentos que estavam na geladeira da família, além de realizar exames minuciosos na louça utilizada durante a refeição fatal. Investigadores destacaram que a carne moída foi requentada, enquanto o arroz e o feijão foram preparados especialmente para aquele jantar.

O delegado Sandro Leal, que também atua no caso, explicou: "Tudo indica que foi durante o jantar, onde eles comeram carne, arroz e feijão. Essa carne já estava na geladeira, foi aquecida. O arroz e o feijão teriam sido confeccionados no momento. E aí, depois disso, a louça foi lavada".

A descoberta de quatro gatos mortos próximo à residência, que teriam consumido restos da comida descartada pelo padrasto, reforçou as suspeitas sobre a contaminação intencional dos alimentos.