Mulheres muçulmanas sofrem ataque violento em shopping de Foz do Iguaçu
Um episódio de intolerância religiosa e violência chocou a cidade de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, na tarde de quinta-feira (12). Duas mulheres muçulmanas foram agredidas dentro de uma loja do JL Shopping após um homem tentar arrancar seus hijabs — os véus islâmicos utilizados como expressão de fé religiosa.
Detalhes do ataque violento
Segundo informações da Polícia Civil, o suspeito, de 33 anos, abordou as vítimas de forma violenta e sem motivo aparente. Ele tentou retirar o hijab da cabeça de uma das mulheres e conseguiu efetivamente arrancar o véu da outra. Diante da reação das vítimas, o agressor passou a desferir socos contra ambas.
As duas mulheres são estrangeiras, uma de nacionalidade libanesa e outra síria, e fazem parte da comunidade árabe de Foz do Iguaçu — a segunda maior do Brasil. Durante o ataque, testemunhas relataram que o homem proferiu xingamentos de cunho discriminatório.
Suspeito preso e encaminhado à Justiça
O agressor foi contido pelos seguranças do shopping e preso em flagrante pelos crimes de lesão corporal e racismo. Ele foi levado à Central de Flagrantes da 6ª Subdivisão Policial, onde foi autuado e encaminhado à Cadeia Pública para audiência de custódia.
Conforme a legislação brasileira, casos de intolerância religiosa podem ser enquadrados como crime de racismo, que é inafiançável e imprescritível. A pena varia de dois a cinco anos de reclusão, além de multa.
Histórico de comportamento discriminatório
De acordo com o delegado Geraldo Evangelista, responsável pelo caso, o suspeito possui histórico de comportamento discriminatório. Há registros anteriores de invasões à mesquita da cidade, onde teria interrompido celebrações religiosas.
"Esses dados serão encaminhados ao Poder Judiciário para análise e eventual adoção de medidas cabíveis", afirmou o delegado.
Mulheres feridas e atendimento médico
As duas vítimas sofreram ferimentos durante o ataque e precisaram de atendimento médico. O JL Shopping informou, em nota, que sua equipe de segurança foi acionada imediatamente e que o suspeito foi contido e encaminhado para fora do estabelecimento, conforme protocolo.
Direito ao uso do hijab é constitucional
A vereadora Anice Nagib Gazzaoui (PP) destacou que o uso do hijab é um direito assegurado pela Constituição Federal. "O véu nunca foi e não pode ser considerado uma dor. Ele é uma vestimenta religiosa, amparada pelo artigo 5º da Constituição, que garante o direito à liberdade de crença, de culto e de expressão religiosa", afirmou.
Ela ressaltou ainda que a permissão para o uso do hijab em documentos oficiais é resultado de uma conquista histórica das mulheres muçulmanas no Brasil.
Repúdio da OAB e violação de direitos humanos
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Foz do Iguaçu emitiu nota manifestando repúdio ao episódio. "Trata-se de grave violação de direitos humanos configurando violação à integridade física, à dignidade da pessoa humana e à liberdade religiosa. Além da dimensão religiosa, o episódio também expõe a persistência da violência contra as mulheres em nosso país", escreveu a instituição.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que busca mais informações sobre o histórico do suspeito e as circunstâncias exatas do ataque.



