Músico de 25 anos é assassinado após discussão por ficha de fliperama em bar de Curitiba
Um trágico episódio de violência urbana resultou na morte de um jovem músico na capital paranaense. Hiago Martins Pinheiro, de 25 anos, conhecido artisticamente como Jago, foi esfaqueado no peito durante uma briga motivada por uma ficha de fliperama defeituosa. O crime ocorreu na noite de 12 de fevereiro, em um bar localizado na Rua São Francisco, região central de Curitiba.
Detalhes do crime e versões conflitantes
Segundo a Polícia Civil do Paraná (PC-PR), Hiago estava com amigos quando comprou uma ficha de R$ 5 para utilizar uma máquina de fliperama que não funcionou adequadamente. Após reclamar com o estabelecimento, o grupo foi expulso do local. Momentos depois, o proprietário do bar, identificado como Moacir Rossi de Godoy, saiu do estabelecimento e desferiu uma facada no peito da vítima, que morreu no local.
A família de Hiago, no entanto, apresenta uma versão diferente dos fatos. Conforme relato encaminhado às autoridades pela defesa, representada pelo advogado Vitor Pereira Pacheco, a confusão começou quando Hiago e dois amigos informaram sobre o defeito na máquina. Após serem verbalmente agredidos, os jovens deixaram o bar e sentaram-se em uma mesa externa de outro estabelecimento próximo.
Segundo esta narrativa, Moacir atravessou a rua e começou a agredir um dos rapazes. Hiago teria se levantado para defender o jovem agredido e, nesse momento, foi atingido pelo golpe fatal. "Ele foi morto ao tentar intervir em uma agressão contra alguém que havia conhecido há pouco tempo", afirmou o advogado da família.
Perfil da vítima e investigações em andamento
Hiago Martins Pinheiro era um talentoso músico autodidata, atuando como guitarrista, compositor e baterista em bandas independentes da cena cultural curitibana. Além da música, dedicava-se à escrita e colaborava com publicações internacionais. Recentemente, havia sido aprovado em um instituto federal e planejava mudar-se para Campos do Jordão (SP) para iniciar curso de computação.
A família descreve Hiago como uma pessoa pacífica, gentil e engajada em causas sociais. Amigos relatam que ele ajudava regularmente pessoas em situação de vulnerabilidade e mantinha fortes vínculos com a comunidade cultural local. No dia do crime, havia visitado os avós e jogado Magic com amigos antes do trágico desfecho.
A delegada Magda Hofstaetter, responsável pelo caso, informou que a polícia analisou imagens de câmeras de segurança e ouviu testemunhas que presenciaram o crime. "Todos os ouvidos identificaram Moacir como o autor da facada", afirmou a delegada. Moacir Rossi de Godoy tem passagens anteriores pela polícia por crimes como tráfico de drogas e lesão corporal, e atualmente encontra-se foragido.
Busca pelo suspeito e apelo por informações
As investigações continuam em andamento, com Moacir sendo investigado por homicídio qualificado. A família de Hiago afirmou, em nota, confiar na atuação das autoridades para a elucidação do crime. A polícia faz um apelo à população: pessoas que tiverem informações sobre o paradeiro do suspeito podem denunciar anonimamente pelos telefones 0800 643 1121 ou 197.
Este caso chocou a comunidade cultural de Curitiba e levanta questões sobre violência urbana e segurança em estabelecimentos comerciais. Enquanto a polícia trabalha na localização do suspeito, amigos e familiares lamentam a perda precoce de um jovem talentoso que tinha planos promissores pela frente.



