Milícia impõe taxa semanal e transforma Catiri, em Bangu, em zona de guerra no Rio
Moradores e comerciantes da Comunidade do Catiri, localizada em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, estão vivendo sob o jugo de milicianos que atuam na região há aproximadamente três anos. Os criminosos têm realizado cobranças semanais que variam de R$ 50 a R$ 500, extorquindo a população local de forma sistemática e violenta.
Rotina de terror e abandono pelo Estado
Segundo relatos angustiantes das vítimas, os milicianos circulam ostensivamente armados, fazendo ameaças diretas e estabelecendo dias específicos para a coleta das taxas ilegais. A situação se agravou significativamente após a morte do miliciano Marco Antônio Figueiredo Martins, conhecido como Marquinho Catiri, transformando a região em um palco de intensos e frequentes confrontos entre paramilitares e traficantes do Comando Vermelho (CV), que disputam ferozmente o controle territorial.
"Aqui no Catiri é uma área dominada pela milícia. Eles cobram morador, cobram comércio. Geralmente vêm armados, são bem truculentos", desabafa um morador, que preferiu não se identificar por medo de represálias. "Nesses dias de cobrança, geralmente tem ataque do Comando Vermelho. É um risco. Batem no teu comércio, entram no teu comércio e esse pessoal do Comando Vermelho vem junto e dá tiro. No final sobra pro inocente. Não tem segurança. O Estado não age aqui. A gente está à mercê desses caras", completa, ilustrando o clima de desamparo e medo constante.
Resposta das autoridades policiais
Em nota oficial, a Polícia Militar do Rio de Janeiro reconheceu que crimes como extorsão e exploração clandestina de serviços são praticados de maneira "velada" na região, enfatizando que a participação ativa da população é um fator determinante para o combate eficaz a essas ações criminosas.
Por sua vez, a Polícia Civil informou, através de comunicado, que a 34ª Delegacia de Polícia (DP) de Bangu investiga e monitora continuamente a atuação de grupos criminosos no Catiri. A delegacia destacou o emprego de métodos avançados de inteligência policial com o objetivo de identificar e prender os envolvidos nas atividades ilícitas. No entanto, as autoridades mantiveram as apurações sobre as denúncias específicas de extorsão sob sigilo investigativo, sem divulgar detalhes operacionais.
Descoberta macabra: cemitério clandestino na mesma área
Na quarta-feira, dia 11 de setembro, agentes da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) localizaram um cemitério clandestino na mesma região do Catiri, em Bangu. De acordo com as investigações iniciais, o local era utilizado para a ocultação de corpos, levantando sérias preocupações sobre a escalada da violência na área.
Os policiais realizaram buscas no terreno com o apoio crucial de equipes especializadas do Corpo de Bombeiros. Durante as escavações, foram encontrados dois corpos, que foram imediatamente encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização de perícias técnicas essenciais para a identificação das vítimas.
A Polícia Civil ainda não divulgou, até o momento, se existe alguma relação direta entre os corpos encontrados no cemitério clandestino e os violentos confrontos entre milícia e tráfico que assolam a região. A descoberta sombria aumenta a pressão sobre as autoridades e evidencia o grave cenário de insegurança e violência que os moradores do Catiri são obrigados a enfrentar diariamente, sem perspectivas de solução imediata.



