Mãe de vítima de estupro coletivo em Copacabana relata trauma e exige justiça
A mãe de uma adolescente vítima de um estupro coletivo em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, expressou sua dor e indignação em entrevista exclusiva. "Eu só quero que eles paguem", declarou a mulher, que teve sua identidade preservada para proteger a vítima. Ela descreveu como a filha enfrentou sentimentos intensos de vergonha e culpa após o crime, chegando a pensar em desistir da vida. "Ela se sentia muito culpada e achava que todos a apontariam como estuprada e culpada", relatou a mãe, destacando o impacto psicológico devastador.
Detalhes do crime e investigação policial
Segundo o depoimento, a adolescente foi convidada por um colega de escola para ir a um apartamento em Copacabana na noite de 31 de janeiro. Inicialmente, ela estava com apenas um adolescente, mas foi forçada a ter relações sexuais com outros quatro adultos sob pressão. A mãe enfatizou que a filha disse 'não' e que isso deveria ter sido respeitado. A polícia indiciou quatro adultos por estupro com concurso de pessoas: Bruno Felipe dos Santos Allegretti (18 anos), João Gabriel Xavier Bertho (19 anos), Mattheus Verissimo Zoel Martins (19 anos) e Vitor Hugo Oliveira Simonin (18 anos). Todos estão foragidos, e a Justiça expediu mandados de prisão preventiva.
O caso ganhou visibilidade quando a mãe percebeu ferimentos graves na filha, incluindo lesões nos glúteos, costas e região genital, confirmadas por exame no Instituto Médico Legal. "Fiquei desesperada e fomos direto para a delegacia", contou ela. A vítima só revelou o ocorrido após conversar com uma amiga, que a alertou sobre ter sido estuprada. A mãe elogiou a coragem da filha em denunciar o crime, acreditando que isso pode encorajar outras vítimas a falarem. A 12ª DP de Copacabana está investigando e pede que possíveis outras vítimas do mesmo grupo procurem a delegacia.
Contexto escolar e histórico dos suspeitos
Dois dos suspeitos, Vitor Hugo Oliveira Simonin e um adolescente de 17 anos, são alunos do Colégio Pedro II, campus Humaitá II, e já enfrentavam processos disciplinares por comportamento inadequado, incluindo agressões dentro da escola. A instituição, uma das mais tradicionais do país, abriu processo administrativo para desligar os estudantes envolvidos. A advogada da família, Mariana Rodrigues, afirmou que há relatos de outros atos análogos a assédio envolvendo o mesmo adolescente que levou a vítima ao apartamento.
O caso também teve repercussões no esporte: o Serrano FC afastou imediatamente o jogador João Gabriel Xavier Bertho e suspendeu seu contrato após a expedição do mandado de prisão. Investigadores analisaram imagens de câmeras de segurança que mostram a chegada dos jovens ao apartamento, a entrada da vítima e sua saída, com gestos interpretados como de "comemoração" pelo adolescente após acompanhá-la. Mensagens de WhatsApp entre a vítima e o menor foram incluídas no inquérito, detalhando o convite e os combinados do encontro.
Laudo pericial e situação atual
O laudo pericial apontou lesões compatíveis com violência física, incluindo infiltrado hemorrágico e escoriações na região genital, além de sangue no canal vaginal. Manchas foram encontradas nas regiões dorsal e glúteas, e materiais foram coletados para exames de DNA. A defesa de João Gabriel Bertho emitiu uma nota negando veementemente a ocorrência de estupro, argumentando que a vítima permitiu a presença dos rapazes e que ele não teve oportunidade de se defender. No entanto, a polícia mantém a investigação ativa, com buscas pelos foragidos.
A vítima recebe acompanhamento da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, devido ao colégio ser federal. A mãe reforça a importância do apoio psicológico e legal, enquanto clama por justiça. "A minha filha foi muito corajosa, e espero que isso ajude outras vítimas a falarem", finalizou, destacando a necessidade de combater a violência contra mulheres e garantir que os responsáveis sejam punidos.



