Mãe clama por justiça um mês após assassinato de filha trans em Araras
O desabafo de uma mãe marca um mês do assassinato de uma mulher transexual em Araras, interior de São Paulo. "Faz 30 dias que choro", disse Solange Maria de Lima Brito, de 50 anos, mãe da vítima, em meio à dor e à falta de respostas sobre o autor do crime. O caso, que ocorreu em 18 de março, continua sem suspeitos, deixando a família em angústia.
Detalhes do crime e investigação
Suellen Jalala Ferreira de Brito, conhecida como Baby, de 30 anos, saiu de casa para ir ao supermercado comprar shampoo e não retornou. Seu corpo foi encontrado em uma construção abandonada perto de sua residência, no Parque Tiradentes, bairro onde morava. O local é frequentemente utilizado por usuários de drogas, segundo a Polícia Militar. A vítima apresentava uma perfuração na região do pescoço e lesões no rosto.
Nesta semana, a Polícia Civil informou que o laudo pericial afastou a hipótese de suicídio e confirmou que as lesões são compatíveis com homicídio. Por isso, o caso deixou de ser tratado como morte suspeita e passou a ser investigado como crime, conforme explicou o delegado Tabajara Zuliani dos Santos. Ainda não há suspeitos identificados, o que aumenta a frustração da família.
Angústia e busca por respostas
Solange Brito relata que os últimos 30 dias têm sido os mais difíceis de sua vida, com uma rotina marcada por desespero e espera por justiça. "Eu vou à delegacia toda semana, pergunto, mas falam que não tem nenhuma pista. Fico indignada", desabafou. Ela já precisou procurar um psiquiatra duas vezes e passou a usar antidepressivos para controlar a ansiedade. Sem a medicação, diz não conseguir dormir, além de sofrer com pressão alta e episódios frequentes de choro.
"É um sofrimento que não desejo para ninguém. Só sabe quem perde uma filha ou filho", afirmou Solange, que pede a prisão do culpado para ter um pouco de paz. Ela descreve Baby como uma pessoa caseira, sem inimizades, que gostava de ir ao cinema e participar de programas em família. Suellen também cuidava dos avós e da mãe, sendo uma companheira constante.
Histórico de saúde e superação
Baby enfrentava desafios de saúde, incluindo trombose venosa nas pernas, que limitava sua mobilidade. Após três meses de internação, ela perdeu um dos pulmões, agravando seu quadro. Apesar das dificuldades, Suellen gostava de estudar e falava bem inglês. Segundo a mãe, ela não bebia nem fumava, mas há cerca de um ano chegou a usar drogas, como cocaína, e passou por tratamento com apoio da família.
O caso chama a atenção para a violência contra pessoas trans e a necessidade de agilidade nas investigações. Enquanto a polícia busca pistas, a família segue em luto, esperando que a justiça seja feita para honrar a memória de Baby.



