Mãe de jovem grávida desaparecida em 2009 em Goiânia ainda busca respostas após 15 anos
Mãe busca jovem grávida desaparecida em Goiânia há 15 anos

Mãe de jovem grávida desaparecida em 2009 em Goiânia ainda busca respostas após 15 anos

Edlamar Rosário da Silva Oliveira, de 60 anos, carrega no coração a dor de uma pergunta sem resposta há exatamente quinze anos. Sua filha, Mayra da Silva Paula, então uma estudante de enfermagem de 20 anos, desapareceu misteriosamente em Goiânia no dia 3 de julho de 2009, deixando para trás uma carta que revelava uma gravidez de seis meses e pedia perdão à mãe. Natural de Nova Glória, no centro-norte de Goiás, Mayra morava na capital havia cerca de três anos para cursar a faculdade na Unip e costumava retornar à cidade natal em períodos de férias e feriados prolongados. Naquela sexta-feira fatídica, porém, ela não apareceu em casa como combinado, iniciando um calvário que persiste até os dias atuais.

Carta emocionante encontrada no apartamento levanta dúvidas

Edlamar contou que passou o dia inteiro esperando a filha chegar e, diante da ausência, começou a ligar desesperadamente para conhecidos e pessoas próximas de Mayra em Goiânia. Dias depois, uma vizinha e proprietária do apartamento onde a jovem morava telefonou para informar que havia recebido um torpedo enviado do celular da universitária, indicando que a mãe encontraria uma carta no imóvel. Sem ter a chave, a mulher chamou um chaveiro para abrir a porta, e o documento foi encontrado sobre a mesa, embaixo do telefone fixo.

No texto, Mayra confessou estar grávida de seis meses, afirmou que não teve coragem de contar a novidade à mãe e pediu para que ninguém fosse culpado pela decisão que havia tomado. "Me perdoa por isso, mas foi minha única saída. Tentei resolver de outra forma, mas não consegui", escreveu a jovem, segundo relato de Edlamar à repórter Rafaella Barros. A polícia periciou a carta e concluiu que a letra era, de fato, da filha, mas o documento também levantou uma intrigante dúvida: a mensagem estava datada de 3 de junho de 2009, enquanto o desaparecimento ocorreu em 3 de julho. Para a mãe, não se sabe se Mayra escreveu a carta um mês antes ou se simplesmente confundiu a data ao redigir o texto.

Gravidez descoberta após o sumiço e investigação com lacunas

Edlamar só soube da gravidez depois que Mayra desapareceu, através de uma vizinha que morava ao lado da filha em Goiânia. De acordo com a mãe, a mulher contou que Mayra pretendia dar a notícia apenas na presença de Tiago Luis Tavares de Sousa, com quem mantinha um relacionamento instável. A vizinha ainda relatou ter visto o carro de Tiago parado em frente ao prédio na noite anterior ao desaparecimento, e Mayra teria combinado com ele uma conversa sobre como contariam a gravidez à família.

Quando questionado sobre o paradeiro da filha, Tiago inicialmente negou que os dois estivessem juntos, mas depois foi até a casa de Edlamar e reconheceu que Mayra estava grávida dele. Em depoimento à Delegacia de Homicídios, ele confirmou que esteve com a jovem no apartamento no dia do desaparecimento e disse acreditar que ela estivesse escondida em algum lugar, aguardando o nascimento do bebê. Procurado, Tiago respondeu que não tem nada a declarar, pois o assunto "está a cargo das autoridades competentes".

A investigação sobre o desaparecimento passou por diferentes instâncias ao longo dos anos:

  • Iniciou na Polícia Civil de Goiás
  • Foi acompanhada pela Delegacia de Homicídios
  • Passou pela Força Nacional e depois pela Polícia Federal, diante da suspeita de que Mayra pudesse ter deixado o país

Segundo a mãe e o advogado da família, Breyder Ferreira da Silva, o caso acabou arquivado tanto na esfera estadual quanto na federal por falta de provas. Edlamar, no entanto, afirma que o inquérito ficou marcado por trocas constantes de delegados e por diligências que, na sua avaliação, não foram suficientemente aprofundadas. Em entrevista, a mãe revelou que uma delegada especializada em desaparecidos demonstrou interesse em retomar a análise do caso, mas a família não conseguiu acesso aos documentos necessários para que a investigação fosse reiniciada na esfera estadual.

Último desejo: encontrar a filha viva ou morta

Hoje aposentada, Edlamar continua morando em Nova Glória, na mesma casa onde esperava a filha voltar em julho de 2009. Ela diz que a dor da falta de respostas permanece inalterada desde o desaparecimento, e seu último desejo é finalmente obter um desfecho para essa história trágica. "Eu preciso de uma solução, preciso achar ela viva ou morta, do jeito que for. Tem que ter um término", desabafou a mãe, cuja luta por justiça e esclarecimentos completa uma década e meia sem qualquer sinal de Mayra, a estudante de enfermagem que sonhava com um futuro, mas desapareceu deixando apenas uma carta e um vazio imensurável no coração de quem a ama.