Mais de 130 pessoas desapareceram no Tocantins nos primeiros meses de 2026
Nos primeiros três meses de 2026, o estado do Tocantins registrou um total de 136 desaparecimentos, conforme dados divulgados pelo Núcleo de Coleta e Análise Estatística (Nucae) da Secretaria de Segurança Pública (SSP). O período analisado abrange de 1º de janeiro a 24 de março, revelando uma situação preocupante que envolve desde crianças até adultos.
Casos recentes e emblemáticos chamam a atenção
Entre os desaparecimentos mais recentes, destaca-se o caso da pequena Ágatha Sophia, de apenas 4 anos, que sumiu nas águas do Rio Tocantins em Tocantinópolis no dia 14 de março. A avó da menina, Maria Vanuza Xavier Arruda, compartilhou sua dor em entrevista à TV Anhanguera: "Dói dentro do peito. Uma dor que não tem explicação. Está sendo muito difícil entrar dentro de casa e olhar as coisinhas dela. Lembrar dela, porque ela era uma criança muito feliz. Encontrar pelo menos um vestígio dela, alguma roupinha, alguma coisinha dela. A gente está na expectativa de encontrar".
Outro caso que continua sem solução é o de Laura Vitória, desaparecida desde janeiro de 2016, quando tinha 11 anos. Recentemente, o Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca) denunciou o caso à Organização das Nações Unidas (ONU), apontando possíveis falhas nas investigações.
Perfil dos desaparecidos e cidades com mais registros
Os dados da SSP/TO indicam que as cidades que mais registraram desaparecimentos foram Palmas, Araguaína e Gurupi. A maioria das vítimas são homens, pardos, com idades entre 18 e 59 anos. Em relação ao horário dos desaparecimentos, 72,06% ocorreram no período matutino, enquanto 27,94% aconteceram durante a noite.
No dia 14 de março, três pessoas desapareceram em um único dia:
- Ágatha Sophia: 4 anos, desapareceu no Rio Tocantins em Tocantinópolis.
- Adenir Rodrigues: mecânico agrícola que sumiu em um córrego próximo à fazenda onde trabalhava em Cariri do Tocantins.
- Ismael Gama: 36 anos, visto pela última vez em uma praia em Novo Acordo após sair para beber com amigos.
Resposta das autoridades e estatísticas oficiais
A Secretaria de Segurança Pública do Tocantins emitiu uma nota informando que mais de 90% dos casos de desaparecimento registrados nas maiores cidades do estado em 2026 foram solucionados em curto espaço de tempo. Segundo a SSP, a quantidade aparentemente elevada de registros se deve à abrangência desse tipo de ocorrência, que inclui desde saídas voluntárias de casa até desaparecimentos em ambientes aquáticos.
"Ressalta-se que os desaparecimentos provocados por ação de terceiros são ocorrências raras no Estado do Tocantins", afirma a nota oficial. A SSP também destacou que, nas cidades do interior, a consolidação dos dados enfrenta limitações, pois familiares muitas vezes deixam de comunicar às autoridades o reencontro com a pessoa desaparecida.
Investigações em andamento e desafios
As investigações sobre o desaparecimento de Ágatha Sophia estão a cargo da 3ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e Vulneráveis (DEAMV - Tocantinópolis). Já o caso de Laura Vitória tramita sob segredo de justiça e é investigado pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado.
A SSP/TO reforçou a importância da atualização dos registros por parte das famílias, para evitar o emprego desnecessário de recursos e permitir que as equipes concentrem esforços em ocorrências que ainda demandam atuação. Apesar dos desafios, as autoridades mantêm as buscas e investigações ativas para localizar os desaparecidos e trazer respostas às famílias afetadas.



