Irmãos são presos após invadirem casa e balearem grávida em Ponta Grossa
Irmãos presos após balearem grávida em invasão em Ponta Grossa

Irmãos se entregam à polícia como suspeitos de matar grávida em invasão

Os irmãos Samuel da Silva Gravonski e Mario Gravonski Junior foram presos após se apresentarem voluntariamente à Polícia Civil de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, na tarde de segunda-feira (23). Eles eram considerados foragidos desde o início de fevereiro, acusados de serem os principais suspeitos pela morte de Susana Ferreira Correia, de 40 anos.

Detalhes do crime chocam a comunidade

A vítima, que estava grávida de quatro meses, foi baleada dentro da própria casa durante uma invasão. Os suspeitos invadiram o local e amarraram Susana. Quando o marido dela chegou, entrou em luta corporal com um dos invasores. Durante a confusão, o outro suspeito efetuou um disparo que atingiu a mulher na nuca.

Após o crime, os irmãos fugiram do local, mas foram registrados por câmeras de segurança saindo da residência da vítima. A polícia encontrou o carro utilizado no crime abandonado no mesmo bairro. As investigações apontam que a invasão tinha como objetivo atingir o marido de Susana, motivada por um suposto "acerto de contas".

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Motivação por vingança familiar

O delegado Luís Gustavo Timossi detalhou que o crime foi motivado por um desejo de vingança dos irmãos, relacionado ao latrocínio do pai deles ocorrido em 2008. "Eles acreditavam que o marido da vítima teria participação naquele crime", explicou o delegado. No entanto, a investigação aponta que não há qualquer prova concreta dessa suposta participação.

"O que a investigação aponta é que, à época dos fatos, surgiram boatos de envolvimento deste rapaz, algo que não foi comprovado nem naquela época nem agora", afirmou Timossi. A suspeita teria surgido a partir de rumores que circularam na época do latrocínio, mas que nunca foram fundamentados com evidências.

Interrogatório e arrependimento seletivo

Os dois irmãos se apresentaram à polícia acompanhados de advogados. Durante o interrogatório, um deles afirmou estar arrependido e disse que "não era para ter acontecido com a moça", complementando que "o objetivo não era esse". Ele se recusou a responder a mais questionamentos, enquanto o outro preso manteve-se em silêncio durante todo o procedimento.

Por meio de nota, o advogado que representa os irmãos afirmou que eles "visavam, em um ato de desespero e dor em razão da impunidade, atingir o assassino do pai deles". A defesa destacou que a apresentação voluntária já vinha sendo combinada com o Setor de Homicídios há mais de uma semana.

Vítima deixou quatro filhos e esperava o quinto

Susana Ferreira Correia tinha quatro filhos e estava grávida do quinto. Ela trabalhava como diarista em Ponta Grossa. A gestante foi baleada na nuca e, antes de falecer, ficou internada em estado grave em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por dois dias, sem conseguir resistir aos ferimentos.

Outros envolvidos nas investigações

Além dos dois irmãos, um terceiro homem, que não teve o nome divulgado, está preso e é investigado por porte ilegal de arma de fogo. Segundo o delegado, há indícios de que ele estava em posse da arma utilizada no crime antes e depois da invasão à casa da vítima.

Outro indivíduo, que chegou a ser preso no início das investigações e posteriormente foi solto, também é investigado. Conforme Timossi, as provas apontam que ele teria ido até a residência do irmão de um dos investigados para buscar a arma com o objetivo de ocultá-la. Seu nome também não foi revelado pelas autoridades.

Prisão por engano durante as investigações

Horas após a morte de Susana, dois homens, de 19 e 22 anos, foram presos suspeitos de envolvimento no crime. Um deles foi solto após provar que havia sido detido por engano. Segundo o advogado do rapaz, a prisão ocorreu de "forma circunstancial", após a polícia chegar a um endereço ligado ao carro usado na fuga.

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O veículo havia sido vendido a uma terceira pessoa, mas ainda constava em nome do irmão do investigado pela morte da gestante. O advogado afirma que o jovem detido estava no local por coincidência e não tinha relação com o crime. A Polícia Civil analisou as provas e reavaliou depoimentos, com comprovantes de PIX, vídeos e metadados de celulares ajudando a provar que o jovem não estava envolvido.

No pedido de concessão de liberdade, consta que a defesa conseguiu provar que o rapaz estava a quase 11 quilômetros do local do crime no horário da invasão. Às 20h14, ele estava na Avenida Vicente Machado comemorando o título de um time de futebol; às 20h48 – horário em que o crime aconteceu – ele fez um pagamento em uma lanchonete no bairro Oficinas; e às 22h30, foi abordado pela Polícia enquanto estava com a namorada dentro do carro dele, em frente à casa de um suspeito de participar do crime.

"O suposto crime teria ocorrido às 20:45 e, há indícios de que a esse horário o investigado estaria em lanchonete, conforme informações repassadas por sua namorada, a qual apresentou documentos (imagens e vídeos) de seu celular, e pelo próprio investigado, que apresentou comprovante de pagamento via Pix", aponta a decisão do Juiz Luiz Carlos Fortes Bittencourt.