Homem indiciado por importunação sexual em ônibus no Rio presta depoimento
O homem filmado com a mão na região genital dentro de um ônibus na Zona Sul do Rio de Janeiro foi formalmente indiciado nesta terça-feira, 17, pelo crime de importunação sexual. A ação foi registrada pela 15ª Delegacia de Polícia, localizada em Gávea. Identificado como João Victor Raphael Freitas, o acusado compareceu para prestar depoimento, onde optou por limitar suas respostas, afirmando que só se manifestaria sobre alegações de masturbação perante um juiz. No entanto, ele confirmou ser a pessoa visível nas filmagens realizadas pela jovem que o denunciou por assédio sexual.
Relato detalhado da vítima e busca por justiça
Em um novo depoimento, a jovem de 18 anos, que preferiu não ter sua identidade divulgada, forneceu detalhes angustiantes do ocorrido. Ela afirmou que o homem colocou o órgão genital para fora da calça, mas rapidamente o cobriu com a camisa no momento em que ela começou a filmar. Após o depoimento de João Victor na semana passada, a vítima desabafou nas redes sociais, expressando sua frustração e esperança por justiça. "Hoje ele saiu da delegacia pela porta da frente, acompanhado de advogados, dizendo que 'só fala em juízo'. Eu só espero por justiça. Porque muitas mulheres passam por situações assim todos os dias e, muitas vezes, ficam com medo de denunciar ou acham que nada vai acontecer. Que esse caso não seja apenas mais um", escreveu ela. O relatório de indiciamento já foi encaminhado à Justiça para as próximas etapas processuais.
Ameaças e mudança de endereço do acusado
João Victor também registrou na delegacia que teria recebido ameaças graves após a divulgação de seu nome e endereço nas redes sociais, consequência da viralização do vídeo na internet. Segundo seu relato, as ameaças se estenderam a seus familiares, o que o levou a deixar seu bairro de origem e se mudar para a Baixada Fluminense, em busca de segurança. A delegada titular Daniela reforçou o apelo para que outras possíveis vítimas do mesmo autor procurem a 15ª DP para prestar queixa e contribuir com as investigações.
O incidente no ônibus e a reação da vítima
O caso ganhou notoriedade após a jovem postar um vídeo nas redes sociais mostrando o homem fazendo movimentos com a mão sobre a região genital dentro do ônibus 565, na linha Tanque x Gávea. No relato, ela descreveu que "ele estava se masturbando e me olhando fixamente". Imediatamente, ela registrou o momento em vídeo e desceu do veículo na passarela da Barra, mas antes de sair, o homem tentou impedi-la de descer, proferindo algo incompreensível. O vídeo alcançou mais de 700 mil visualizações em apenas uma hora, e nos comentários, o homem foi identificado como aluno e funcionário da PUC-Rio.
Em resposta, a PUC-Rio emitiu uma nota afirmando que, caso seja confirmado o vínculo com a instituição, tomará as medidas cabíveis. "A PUC-Rio condena todo e qualquer tipo de assédio e se coloca à disposição das autoridades para colaborar com as investigações", declarou a universidade. A jovem, que estava a caminho de casa após sair da escola na Zona Sul, detalhou que o ônibus estava vazio quando o homem entrou na altura da Rocinha e se sentou ao lado dela. "Algo me deu na cabeça para eu olhar para o lado e eu vi ele tocando nas partes íntimas dele. Eu pensei 'não vou ficar olhando, vou gravar um vídeo'", contou ela, acrescentando que só postou o material mais tarde por medo de represálias.
Outra vítima reconhece o suspeito
Uma segunda mulher entrou em contato com a reportagem e afirmou reconhecer João Victor das imagens, relatando ter passado por situação semelhante há aproximadamente um ano. Segundo ela, em um ônibus na altura de Benfica, na Zona Norte, o homem jogou algo em seu short e se aproximou com um saco plástico para limpar, passando a mão nela de forma inadequada. "Só depois caiu a ficha de que ele estava fazendo isso para passar a mão em mim", revelou. Em outra ocasião, também em Benfica, ela notou sua presença novamente em um ônibus à noite, quando ele tentou descer no mesmo ponto e insistiu que sua calça estava suja. A mulher reagiu falando alto, e ele acabou saindo, mas ela não registrou as ocorrências nem as levou à polícia na época.
A defesa de João Victor informou que não tem conhecimento dos fatos e só se manifestará judicialmente após tomar ciência completa do caso. As autoridades continuam investigando, e o relatório de indiciamento segue tramitando na Justiça, enquanto a sociedade acompanha atentamente o desfecho desta situação que expõe a vulnerabilidade enfrentada por mulheres no transporte público.



