Homem é preso após agredir muçulmanas e tentar arrancar hijab em shopping do Paraná
Um homem de 30 anos foi preso na tarde de ontem após cometer agressões físicas e verbais contra duas mulheres muçulmanas dentro do Cataratas JL Shopping, em Foz do Iguaçu, no Paraná. O indivíduo tentou forçosamente retirar o hijab da cabeça das vítimas, peça tradicional que cobre cabeça e pescoço na religião islâmica, e as insultou por causa de suas crenças e vestimentas.
Detalhes do crime e prisão
Segundo a Polícia Civil do Paraná, o agressor desferiu socos contra as mulheres quando elas se recusaram a remover seus véus. Ele foi contido por clientes que estavam no local do shopping e posteriormente encaminhado para a delegacia. O homem foi autuado pelos crimes de lesão corporal e racismo, com a polícia destacando que ele possui histórico de ações discriminatórias e racismo religioso, incluindo invasões a cerimônias.
A identidade do suspeito não foi divulgada, e a reportagem não teve acesso à sua defesa. Em nota oficial, o Cataratas JL Shopping afirmou que cumpriu o protocolo para tais casos, que inclui conter a pessoa envolvida e acionar imediatamente a polícia local. O estabelecimento declarou repudiar veementemente qualquer tipo de agressão física ou verbal contra mulheres, assim como atos de intolerância religiosa, étnica e de gênero.
Contexto da intolerância religiosa no Brasil
O hijab, como parte da tradição religiosa muçulmana, simboliza fé e modéstia para muitas mulheres. A intolerância religiosa envolve preconceito que leva a discriminação, profanação, ofensas e agressões baseadas em crenças alheias. Embora o Brasil seja um país laico juridicamente, respeitando a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, incidentes como este destacam desafios persistentes.
A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º, assegura a igualdade religiosa e a laicidade do Estado. Complementarmente, a lei nº 9.459 de 1997 prevê punição de um a três anos de reclusão e multa para crimes motivados por discriminação de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Canais de denúncia e apoio
Para combater tais atitudes ofensivas, o Brasil disponibiliza vários canais de denúncia:
- Disque 100: Serviço gratuito que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, inclusive feriados.
- WhatsApp: (61) 99611-0100
- Telegram: Buscar por "direitoshumanosbrasil" no aplicativo.
- Site do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania: Oferece videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras).
O Ministério esclarece que todas as denúncias são gratuitas, anônimas e recebem um número de protocolo para acompanhamento. Este caso em Foz do Iguaçu serve como um alerta sobre a necessidade de vigilância contínua contra a intolerância religiosa, reforçando a importância dos mecanismos legais e sociais de proteção.



