Feminicídio no RS: Silvana, 48 anos, é a 20ª vítima de 2026; pais também desaparecidos
Feminicídio no RS: Silvana é 20ª vítima de 2026; pais desaparecem

Feminicídio no Rio Grande do Sul: Caso de Silvana Aguiar é Reclassificado e Pais Continuam Desaparecidos

O desaparecimento de Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, ocorrido em 24 de janeiro, foi oficialmente reclassificado como feminicídio nesta quarta-feira (25), tornando-a a 20ª vítima deste crime no Rio Grande do Sul em 2026. A decisão foi tomada pela Polícia Civil após evidências coletadas durante as investigações apontarem para essa tipificação criminal. Até o momento, o corpo de Silvana não foi localizado, assim como os de seus pais, Isail Aguiar, de 69 anos, e Dalmira Aguiar, de 70 anos, que também estão desaparecidos há um mês.

Investigação Avança com Suspeito Preso

O principal suspeito do crime é o ex-companheiro de Silvana, Cristiano Domingues Francisco, policial militar que está preso temporariamente por suspeita de envolvimento. De acordo com a delegada Waleska Alvarenga, diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher de Porto Alegre, as diligências revelaram indícios suficientes para alterar o registro inicial de desaparecimento para feminicídio. As autoridades praticamente descartam a possibilidade de encontrar a família com vida, mas o inquérito pode ser concluído mesmo sem a localização dos corpos.

Linha do Tempo do Caso Revela Detalhes Chocantes

O caso teve início com eventos anteriores ao desaparecimento. Em 2 de janeiro, Silvana solicitou o contato do Conselho Tutelar em um grupo de mensagens. No dia 9 de janeiro, ela compareceu ao órgão para registrar que seu ex-marido, Cristiano, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal. A reportagem procurou o advogado de Cristiano, Jeverson Barcellos, e aguarda posicionamento.

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No fim de semana dos desaparecimentos, em 24 de janeiro, Silvana foi vista pela última vez. Uma publicação em suas redes sociais afirmava que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas a polícia constatou que o acidente nunca aconteceu, sendo a postagem uma tentativa de despistar o sumiço. Imagens de câmeras de segurança mostraram movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro, incluindo a entrada e saída de carros na residência de Silvana.

No dia 25 de janeiro, os pais de Silvana, Isail e Dalmira, alertados por vizinhos sobre a postagem, saíram para procurar a filha. Após tentarem registrar o desaparecimento em uma delegacia fechada, seguiram para a casa do ex-genro, Cristiano. Em depoimento, o policial afirmou que o casal pediu ajuda para procurar Silvana e que ele auxiliaria mais tarde. Horas depois, os idosos foram vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado e não foram mais localizados.

Desenvolvimentos Investigativos e Perícias

As investigações formais começaram em 27 e 28 de janeiro, com o registro das ocorrências de desaparecimento. Cristiano comunicou o sumiço de Silvana, e uma sobrinha informou sobre o desaparecimento dos idosos. Em 28 de janeiro, Cristiano compareceu ao Conselho Tutelar para pedir a guarda do filho durante as investigações. No dia 1º de fevereiro, ele enviou uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal.

Em 3 de fevereiro, a polícia ouviu seis pessoas, incluindo Cristiano e sua atual companheira, e encontrou um projétil de arma de fogo no pátio da casa dos idosos. No dia 4, a Polícia Civil confirmou que tratava o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate. A perícia realizada em 5 de fevereiro coletou material na casa de Silvana, encontrando vestígios de sangue no banheiro e na área externa, além de material genético e impressões digitais.

O celular de Silvana foi localizado em 7 de fevereiro, escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo à casa dos pais, após denúncia anônima. Em 9 de fevereiro, autoridades confirmaram que o cartucho encontrado na casa dos idosos era de festim (munição não letal). No dia 10 de fevereiro, Cristiano foi preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita, incluindo áudios nos quais ele estaria tentando interferir na investigação.

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Protestos e Novas Descobertas

No mesmo dia, familiares e amigos realizaram um protesto e caminhada em Cachoeirinha pedindo solução para o caso, e o filho de Silvana foi encaminhado para a casa dos avós paternos. Em 13 de fevereiro, foi divulgado que Cristiano e sua atual companheira se recusaram a fornecer as senhas de seus aparelhos. No dia 20 de fevereiro, o policial militar prestou depoimento à polícia, ficando em silêncio, conforme a defesa.

A polícia também confirmou que o mesmo carro entrou duas vezes na residência de Silvana no dia do desaparecimento, mas não foi possível identificar a placa. Em 24 de fevereiro, a perícia do celular de Silvana mostrou que o aparelho nunca esteve em Gramado, contradizendo a publicação feita em suas redes sociais. O desaparecimento da família Aguiar completou um mês em 24 e 25 de fevereiro, com as investigações ainda em andamento para elucidar os detalhes desse trágico caso.