Um homem de 20 anos, Francisco Gleison dos Santos, foi preso na última quinta-feira (21) por suspeita de envolvimento no assassinato de um idoso de 78 anos em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. A vítima, José Udmar Amorim, conhecido como Amorim, foi morta a tiros no dia 23 de setembro de 2025, após discutir com membros do Comando Vermelho (CV) por causa do furto de grades de ferro de suas casas.
O crime
Segundo a investigação da Polícia Civil, na madrugada do dia 23, um grupo de criminosos invadiu casas no bairro Conjunto Metropolitano, retirando grades e portões. A vizinhança acionou a polícia. Entre os imóveis invadidos estavam uma vila de casas desocupadas, de propriedade de Amorim. Ao saber das invasões, o idoso saiu em busca das grades, encontrou os itens e os levou para o local onde morava, um clube.
Pouco depois, os criminosos foram até a propriedade de Amorim e exigiram a devolução das grades, afirmando que agora pertenciam ao chefe da facção local. Amorim recusou e discutiu com os suspeitos. Após a recusa, os criminosos o ameaçaram de morte, acusando-o ainda de ter chamado a polícia durante as invasões. Horas depois, por volta das 14h, os criminosos pularam o muro do clube e balearam Amorim 18 vezes enquanto ele estava deitado em uma rede.
Executores e denúncia
O inquérito policial aponta que entre os executores estavam Francisco Gleison, um adolescente de 15 anos e Plauton Daniel Carneiro, conhecido como "Paizão", apontado como liderança do CV no bairro. O grupo também é suspeito de ameaças e expulsões de moradores da comunidade do Picuí, no contexto do conflito entre facções.
Em fevereiro, o Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou Gleison e Plauton por homicídio qualificado, corrupção de menores e organização criminosa. Gleison tem antecedentes por crimes contra a administração pública, enquanto Plauton responde por homicídio e furto. As defesas dos acusados não foram localizadas.
Motivação
Na denúncia, o MP destacou que a motivação do assassinato está ligada ao controle territorial exercido pelo Comando Vermelho no bairro Picuí, à retaliação pela recuperação dos portões furtados pela vítima e à suspeita de que ela teria acionado a polícia e mantinha vínculos com a facção rival GDE/MASSA. Por isso, foi considerada "delator" e alvo de "decreto" interno da organização criminosa.
O MP também pediu a prisão preventiva dos acusados. Gleison foi preso na semana passada em Caucaia, enquanto Plauton permanece foragido.



