Santarém registra dois latrocínios contra idosos em fevereiro de 2026, alertando sobre vulnerabilidade
Dois idosos assassinados em latrocínios em Santarém, Pará

Santarém enfrenta onda de violência contra idosos com dois latrocínios em fevereiro de 2026

No mês de fevereiro de 2026, a cidade de Santarém, localizada no oeste do estado do Pará, foi palco de dois crimes graves que chocaram a comunidade e acenderam um alerta entre as autoridades. Em menos de uma semana, dois idosos foram assassinados durante latrocínios, que são roubos seguidos de morte, evidenciando uma vulnerabilidade alarmante dessa faixa etária, especialmente entre aqueles que residem sozinhos.

Detalhes dos casos e investigações policiais

De acordo com informações da Delegacia Especializada de Proteção à Pessoa Idosa, os dois homicídios ocorreram no bairro da Interventoria e tiveram como motivação principal o roubo de dinheiro. Em ambos os episódios, as vítimas moravam sozinhas, o que facilitou a aproximação e a ação dos criminosos. A delegada Márcia Rabelo, titular da especializada, classificou a sequência de crimes como atípica e expressou profunda preocupação com a violência extrema direcionada a esse público.

Segundo a delegada, desde a criação da delegacia, não havia registro de latrocínios envolvendo idosos em Santarém. Ela lamentou a situação, destacando que os idosos eram independentes, mas estavam em uma posição de fragilidade que foi explorada por indivíduos mal-intencionados.

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Fatores de risco e perfil das vítimas

No caso mais recente, a vítima foi identificada como Sebastião da Silva Braga, de 67 anos. A investigação revelou que ele acreditava manter um relacionamento amoroso com uma mulher em situação de rua e usuária de drogas. O idoso apresentava sinais de possível demência e, devido à carência afetiva, permitiu a entrada de pessoas estranhas em sua residência, o que culminou em sua morte trágica.

"O idoso é muito carente de companhia. Falta alguém para conversar, para passear, para acompanhar. Isso abre espaço para pessoas mal-intencionadas, que ganham confiança, perguntam sobre dinheiro e rotina, até cometer crimes graves", explicou Márcia Rabelo, enfatizando como a solidão pode ser um fator de risco significativo.

No outro caso, ocorrido na madrugada de uma quinta-feira, o criminoso invadiu a residência do idoso Ismael Silvio Batista, de 73 anos, que possuía uma quantia em dinheiro guardada em casa. A polícia está apurando se informações sobre a vítima teriam partido de pessoas próximas, indicando uma possível quebra de confiança dentro do círculo social.

Violência cotidiana e abusos contra idosos

Além desses casos extremos, a delegada alerta que a violência contra idosos é registrada diariamente na especializada, com foco principalmente em violência patrimonial e psicológica. Muitas denúncias envolvem familiares, como filhos e netos, que se apropriam indevidamente de dinheiro, cartões bancários e benefícios previdenciários dos idosos.

"Recebemos denúncias todos os dias. Idosos que recebem R$ 300 por mês e têm esse valor tomado pela própria família. Muitos são o sustento financeiro da casa e sofrem exploração dentro do próprio lar", destacou a delegada, ilustrando a gravidade do problema que vai além dos crimes violentos.

Medidas de prevenção e orientações para a comunidade

A delegacia reforça que a proteção ao idoso é uma responsabilidade compartilhada por toda a sociedade. Familiares são orientados a acompanhar de perto a rotina dos idosos, realizar visitas frequentes, observar mudanças de comportamento e ficar atentos à presença de pessoas estranhas. Vizinhos também desempenham um papel crucial, devendo denunciar movimentações suspeitas ou qualquer sinal de maus-tratos.

Entre as medidas de prevenção recomendadas pela polícia, estão:

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  • Evitar guardar grandes quantias de dinheiro em casa
  • Não fornecer informações financeiras ou pessoais a desconhecidos
  • Instalar câmeras de segurança para monitorar entradas e saídas
  • Utilizar celulares com botão de emergência (SOS)
  • Manter acompanhamento social e psicológico, quando necessário

Rede de proteção e canais de denúncia

Além da atuação policial, Santarém conta com uma rede de proteção à pessoa idosa, que inclui o Ministério Público, a OAB, os CRAS, o Conselho do Idoso e unidades de saúde. A Comissão de Direito da Pessoa Idosa da OAB alerta que sinais aparentemente simples, como hematomas ou queixas recorrentes em postos de saúde, devem ser levados a sério, pois podem indicar violência em estágios iniciais.

"Muitas vezes a violência começa pequena e não é denunciada. Quando não há intervenção, o problema pode evoluir para algo muito mais grave", destacou a advogada Fran Simone Trinca, da Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da OAB.

As denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio do Disque 100 ou Disque 181, que encaminham os casos diretamente à Delegacia do Idoso, garantindo um fluxo ágil para investigações e ações protetivas.