Amazônia Legal se torna epicentro da violência no Brasil com avanço do crime organizado
Amazônia Legal é nova região mais violenta do Brasil

Amazônia Legal se consolida como região mais letal do Brasil

Um estudo recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) revela que a Amazônia Legal se tornou o novo epicentro da violência no país, superando grandes centros urbanos. A presença de facções criminosas em quase metade dos municípios da região potencializa a criminalidade, com impactos devastadores sobre comunidades locais.

Crescimento explosivo do crime organizado

Em 2025, houve um aumento de 32% no número de municípios da Amazônia Legal sob influência de facções criminosas em comparação com 2024. Atualmente, 344 municípios estão nessa situação, contra 260 no ano anterior e 178 em 2023. Entre as 17 facções identificadas, destacam-se o PCC e o Comando Vermelho (CV), sendo que este último mais do que duplicou sua presença na região em apenas dois anos, alcançando 286 municípios em 2025.

David Marques, coordenador de projetos do FBSP, explica que a taxa de homicídios na Amazônia Legal é mais alta e em crescimento, enquanto o restante do Brasil apresenta redução. "Percebemos um espraiamento de uma lógica do crime organizado nesse modelo faccional", afirma Marques, relacionando o fenômeno ao aumento da população prisional e à cadeia da cocaína, impulsionada pela fronteira com Colômbia, Peru e Bolívia, principais produtores mundiais.

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Sobreposição de ilícitos ambientais e narcotráfico

A violência na região é potencializada pela sobreposição do narcotráfico com ilícitos ambientais, como garimpo clandestino, grilagem, desmatamento e tráfico de armas. "Aviões que transportam o ouro ilegalmente também transportam cocaína", exemplifica Marques, alertando para a maximização das ilegalidades.

Em 2024, foram registradas 8.047 mortes violentas intencionais na Amazônia Legal, uma taxa de 27,3 assassinatos por 100 mil habitantes, 31% superior à média nacional. O Amapá foi o estado mais violento, com 45,1 mortes por 100 mil habitantes.

Impactos sociais e vulnerabilidades

O avanço do crime organizado tem diversos impactos, incluindo o aumento da drogadição e do aliciamento de jovens indígenas. "Quais são as alternativas para essa juventude que possam servir como freio para a influência crescente desse mercado?", questiona Marques, destacando a falta de oportunidades como fator de vulnerabilidade.

Nas comunidades indígenas do Alto Solimões, o microtráfico se consolidou como principal forma de presença criminosa, com relatos de consumo abusivo de álcool e drogas. O surgimento de minicracolândias e furtos associados à dependência química agravam a situação.

Violência contra mulheres em níveis alarmantes

Outro dado preocupante é a violência contra as mulheres, maior na Amazônia Legal do que no restante do país. Em 2024, 586 mulheres foram assassinadas na região, uma taxa de 4,1 vítimas por 100 mil mulheres, 21,8% superior à média nacional. A violência sexual também é alarmante, com 94 estupros por 100 mil mulheres, 36,8% acima da média.

Marques ressalta que a presença das facções intensifica essa violência: "Casas que abrigam mulheres vítimas precisam ser bem protegidas porque podem ser invadidas por agentes criminosos".

Desafios e soluções para a segurança pública

David Marques argumenta que a segurança pública é condição essencial para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. "Não tem como falar sobre desenvolvimento sem levar em consideração a segurança pública", afirma, destacando que o custo estimado para fazer segurança em algumas regiões pode ser até 25 vezes superior ao de áreas urbanas no Sudeste.

Apesar dos desafios, há iniciativas promissoras, como as Bases Fluviais Integradas do Amazonas e do Pará, que combatem narcotráfico, crimes ambientais e pirataria fluvial. Essas bases não só dificultam a ação criminosa como possibilitam o desenvolvimento territorial com instalação de negócios e equipamentos de saúde.

Reconhecer e enfrentar as especificidades dos territórios pode fazer a diferença, mostrando que soluções adaptadas são necessárias para superar a complexidade da violência na Amazônia Legal.

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