Agressões contra profissionais de saúde disparam 39% em Campinas em 2025
As denúncias de agressões contra profissionais da saúde registraram um crescimento alarmante de 26,2% na região de Piracicaba, no interior de São Paulo, entre os anos de 2024 e 2025. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) e revelam que o número de casos saltou de 145 para 183 registros em um único ano.
Alta generalizada no estado de São Paulo
O levantamento abrange as cidades sob a jurisdição do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 9 (Deinter-9), com sede em Piracicaba. Na região de Campinas, as denúncias apresentaram uma alta ainda mais expressiva, atingindo 39% no mesmo período. Em todo o estado de São Paulo, o aumento chegou a 16%, indicando uma tendência preocupante de violência contra trabalhadores da saúde.
Casos graves e impacto psicológico
Juliana Machado, representante do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (Sinsaúde Campinas e Região), destacou um episódio particularmente grave ocorrido em Limeira, em outubro de 2025. Nesse caso, um idoso de 63 anos adentrou uma unidade administrativa hospitalar portando uma réplica de arma e ameaçou funcionários do local.
"Ele não foi atendido por causa de um procedimento que não foi autorizado pelo plano de saúde. Em sua revolta, ele entrou armado na estrutura hospitalar e sequestrou quatro técnicas de enfermagem, mantendo-as sob sua custódia. Atualmente, essas trabalhadoras estão realizando acompanhamento psicológico com o apoio do sindicato", relatou Juliana Machado.
Prontos-socorros como epicentro das agressões
De acordo com a representante sindical, os ataques estão mais concentrados nos prontos-socorros, devido a fatores como sobrecarga de trabalho, superlotação, falta de insumos, escassez de material e deficiências na infraestrutura para realização de procedimentos.
"Tivemos situações de trabalhadores que foram agredidos porque deram prioridade ao atendimento de casos mais graves, em detrimento de queixas como dor de cabeça ou mal-estar momentâneo", explicou a profissional.
Profissional abandona carreira após testemunhar agressão
Juliana Alves Andrade, após 19 anos atuando como técnica de enfermagem, decidiu abandonar a profissão devido às pressões constantes nas unidades onde trabalhava. O episódio mais marcante que testemunhou envolveu uma agressão física a um colega.
"Ele foi agredido por não permitir a entrada de um acompanhante, conforme as regras do local. O acompanhante o agrediu fisicamente, rasgou toda a sua roupa, e eu nunca tinha presenciado uma agressão física daquela magnitude. Foi a pior cena que vi", contou Juliana.
"Nós somos a linha de frente. Todos os problemas que ocorrem no atendimento de saúde acabam sendo direcionados pela população geral para a enfermagem. Assim, temos que resolver questões que, na grande maioria, não são de nossa responsabilidade", lamentou.
"Se há um problema na recepção, chamam a enfermagem. Se há uma questão na triagem ou demora no atendimento, chamam a enfermagem", completou, ilustrando a sobrecarga e a vulnerabilidade enfrentadas por esses profissionais.
Os dados e relatos evidenciam uma crise de segurança que demanda atenção urgente das autoridades e da sociedade para proteger aqueles que dedicam suas vidas ao cuidado da saúde pública.



