Viúva de Marielle Franco desabafa sobre sentimento à espera de julgamento dos mandantes
Viúva de Marielle desabafa antes de julgamento dos mandantes

Viúva de Marielle Franco vive momento de emoções intensas antes de decisão histórica do STF

Horas antes do início do julgamento histórico no Supremo Tribunal Federal que definirá o destino dos acusados de serem os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, a vereadora Mônica Benício, viúva de Marielle, enfrenta um turbilhão de sentimentos difíceis de nomear. O caso, que completa oito anos, está prestes a ter um capítulo decisivo com a análise da Primeira Turma do STF.

Expectativa e ansiedade marcam momento decisivo

Em entrevista exclusiva, Mônica Benício descreveu estar vivendo um momento único e desafiador emocionalmente. "É um desafio nomear o que estou sentindo. Tem uma coisa de ansiedade, com um misto de medo pela imprevisibilidade. Tem a esperança de que o dia vai terminar de uma forma positiva", afirmou a vereadora do Psol.

Ela destacou como os últimos anos foram marcados pela impossibilidade de viver o luto de forma completa. "Vivemos com a impossibilidade de viver o luto completo. No lugar de celebrar a memória feliz e afetiva, sempre estamos rememorando a dor para cobrar a justiça. Isso foi muito sacrificante", explicou Mônica, visivelmente emocionada.

Processo marcado por interferências e morosidade

Ao analisar os oito anos de investigações, Mônica Benício foi enfática ao apontar as interferências como principal fator para a lentidão do processo. "O que determinou o ritmo do processo foram as interferências nas apurações", afirmou, em referência direta ao delegado Rivaldo Barbosa, um dos acusados no caso.

Barbosa, que inicialmente recebeu a família de Marielle com promessas de rigor nas investigações, é hoje apontado como mentor intelectual do crime. "Quando soube do envolvimento do Rivaldo, foi uma paulada na cabeça. Eu pensava: eu apertei a mão do assassino de Marielle", revelou Mônica, descrevendo o sentimento de traição.

O caso só ganhou novos rumos quando saiu da alçada da Polícia Civil e passou a ser conduzido pela Polícia Federal, demonstrando as complexidades e obstáculos enfrentados durante as investigações.

Acusados aguardam veredicto do Supremo

O julgamento no STF envolve figuras de destaque no caso:

  • Chiquinho Brazão e Domingos Brazão - Acusados de encomendarem o homicídio
  • Delegado Rivaldo Barbosa - Indicado como mentor intelectual do atentado
  • Major da PM Ronald Paulo Alves Pereira - Que teria monitorado a rotina da vereadora
  • Policial militar Robson Calixto Fonseca - Que teria ajudado a ocultar a arma do crime

A expectativa é que a condenação seja confirmada rapidamente, mas Mônica evita pensar em possibilidades negativas. "Estou jogando para o universo outra energia. Foi um crime com diversas interferências, foi praticado no próprio Estado", afirmou.

Amor como força motriz na busca por justiça

Emocionada, Mônica Benício fez questão de destacar que sua luta vai além da busca por justiça política. "Mais do que levantar da cama e pedir justiça pela vereadora e pela defensora dos direitos humanos, eu o fiz pela minha companheira de vida", declarou.

Ela relembrou o momento trágico: "Queria saber o que tinha acontecido naquela noite para minha mulher me mandar uma mensagem dizendo 'tô entrando no carro, já chego' para meia hora depois saber que ela nunca mais chegaria".

Para Mônica, o legado de Marielle continua vivo. "Legado não é só o que se deixa, mas também o que se leva adiante. Lutar com e por amor vale a pena", concluiu, demonstrando que, apesar da dor, o amor permanece como força fundamental em sua jornada por justiça.

O julgamento no Supremo Tribunal Federal representa não apenas um momento decisivo para este caso específico, mas também um teste importante para as instituições brasileiras e sua capacidade de garantir justiça em crimes de grande repercussão política e social.