Vereadores de Morada Nova são presos em operação da PF contra financiamento ilegal de campanhas
Cinco vereadores do município de Morada Nova, no Ceará, foram presos na última quinta-feira (12) durante a "Operação Traditori", deflagrada pela Polícia Federal. A ação investiga o suposto financiamento ilícito da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE) para campanhas eleitorais municipais em 2024.
Advogado obtém prisão domiciliar após habeas corpus
Entre os parlamentares presos está José Gomes da Silva Júnior, conhecido como Júnior do Dedé (PSB), que nesta segunda-feira (16) obteve na Justiça o direito de cumprir prisão domiciliar. A decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) considerou sua condição de advogado com inscrição ativa na OAB, o que garante direito a instalações especiais ou prisão domiciliar quando em prisão preventiva.
A defesa do vereador alegou que mantê-lo na Delegacia de Capturas de Fortaleza, onde estava preso, "configuraria constrangimento ilegal", já que o local não possui a infraestrutura adequada para profissionais da advocacia. O TRE-CE determinou ainda que ele utilize tornozeleira eletrônica e não mantenha contato com outros envolvidos no processo.
Investigação começou com inquérito sobre tráfico de drogas
A operação da Polícia Federal teve origem em um inquérito da Polícia Civil sobre tráfico de drogas que identificou transações financeiras da facção GDE destinadas a campanhas eleitorais. Conforme a Delegacia de Morada Nova, uma investigação iniciada em 2024 levou à prisão de cerca de 21 alvos da facção no início de 2025, incluindo o responsável financeiro na região.
Ao analisar as movimentações financeiras, os investigadores descobriram transferências de um dos criminosos para campanhas eleitorais de 2024. A PF detalhou em nota que "a investigação revelou a existência de um complexo esquema criminoso, vinculado a uma facção responsável pela movimentação e ocultação de recursos de origem ilícita, posteriormente utilizados para financiar campanhas eleitorais".
Quem são os vereadores presos
Os cinco vereadores presos e afastados das funções públicas são:
- Hilmar Sérgio Pinto da Cunha (PT) - presidente da Câmara de Morada Nova
- Lucia Gleidevania Rabelo - Gleide Rabelo (PT) - secretária da mesa diretora
- Claudio Roberto Chaves da Silva - Cláudio Maroca (PT)
- José Regis Nascimento Rumão (PP)
- José Gomes da Silva Júnior - Júnior do Dedé (PSB)
Júnior do Dedé está licenciado da vereança e atua como secretário de administração da Prefeitura de Morada Nova desde setembro de 2025. A decisão judicial também teve como alvo o ex-vereador José Weder, cujo mandato havia sido cassado pela Justiça Eleitoral, mas para ele foram autorizadas apenas medidas de busca e apreensão.
Reações das instituições e defesas
A Câmara Municipal de Morada Nova, composta por 15 vereadores, suspendeu as atividades na quinta-feira (12) devido à falta de quórum após as prisões. A vice-presidente da Casa, vereadora Jane Martins, confirmou o encerramento da sessão legislativa, mas não se manifestou sobre o caso.
A Prefeitura de Morada Nova emitiu nota afirmando que "não é alvo da investigação e não possui qualquer envolvimento com os fatos apurados", reafirmando respeito às instituições e ao trabalho das autoridades.
O advogado de defesa do vereador Hilmar Sérgio, Fernandes Neto, disse que seu cliente "manifesta surpresa diante da decisão judicial e declara não ter qualquer vínculo com organizações criminosas". Já a defesa de Júnior do Dedé informou que ainda não teve acesso aos autos do processo e não tem comentários no momento.
Medidas judiciais e crimes investigados
A Justiça Eleitoral determinou o sequestro e bloqueio de bens e valores dos envolvidos "com o objetivo de interromper o fluxo financeiro da organização criminosa e assegurar a efetividade da persecução penal". Os investigados são suspeitos de cometer crimes de:
- Lavagem de dinheiro
- Organização criminosa
- Tráfico de drogas
- Crimes eleitorais
Vale destacar que os vereadores não são suspeitos do crime de tráfico de drogas especificamente. A Delegacia de Morada Nova compartilhou as informações com a Polícia Federal por envolver crime eleitoral, dando início às investigações sobre o envolvimento do grupo criminoso com as eleições municipais.
