Vereador condenado por atropelar e matar idoso segue atuando na Câmara de Guarapuava
Um mês e meio após ser condenado por dirigir embriagado, atropelar e matar um idoso, além de tentar fugir do local do acidente, o vereador Kenny Rogers Gonçalves Anacleto, conhecido como Kenny do Cartório, continua exercendo suas funções na Câmara Municipal de Guarapuava, na região central do Paraná. O político foi sentenciado a 7 anos, 5 meses e 24 dias de prisão, em regime inicial semiaberto, mas, por ter ganho o direito de recorrer em liberdade, permanece solto e ativo no Legislativo.
Detalhes do atropelamento e processo judicial
O atropelamento ocorreu em 21 de dezembro de 2024, dias antes de Kenny do Cartório tomar posse na Câmara. Segundo a denúncia do Ministério Público do Paraná, ele dirigia embriagado, em alta velocidade e com a CNH cassada quando avançou na calçada da Avenida Vereador Rubem Siqueira Ribas e atingiu José Maceno de Almeida, de 82 anos, que não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Imagens de segurança mostram que, após o atropelamento, o carro atingiu um barranco e capotou.
Na época, o vereador foi preso em flagrante, mas liberado em menos de 48 horas, respondendo a todo o processo em liberdade. Em 22 de janeiro de 2026, ele foi julgado e condenado. Seis dias depois, o Ministério Público Eleitoral enviou um ofício à Câmara pedindo seu afastamento e a instauração de uma comissão de ética e decoro parlamentar para cassar seu mandato, citando quebra de decoro como conduta reprovável incompatível com a dignidade parlamentar.
Respostas da Câmara e da defesa
A Câmara de Guarapuava informou que encaminhou o pedido ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar em 3 de março de 2026, mas não explicou o atraso de mais de um mês para dar andamento ao processo. Em nota, a instituição reafirmou compromisso com transparência e legalidade, assegurando que os procedimentos respeitarão o contraditório e a ampla defesa.
O advogado Marinaldo Rattes, que defende Kenny do Cartório, destacou que recorreu da sentença criminal e argumentou que a perda do cargo só é possível com sentença condenatória com trânsito em julgado, após esgotar todas as instâncias da Justiça. Ele contestou a embriaguez ao volante, alegando erros no termo de constatação policial, e afirmou que o recurso pode alterar a pena imposta.
Contexto político e repercussões
Kenny Rogers, de 34 anos, empresário e casado, foi eleito vereador em 2024 pelo MDB com 1.294 votos, após ter sido suplente em 2020 pelo Republicanos. O caso gerou ampla repercussão, com o Ministério Público Eleitoral pressionando por medidas disciplinares. A vereadora cujo carro foi usado na tentativa de fuga fechou acordo com o MP-PR para não responder criminalmente.
Este incidente levanta questões sobre ética política e responsabilidade pública, especialmente diante de condenações graves envolvendo figuras eleitas. A situação permanece em aberto, com o Conselho de Ética analisando os documentos e a defesa buscando reverter a sentença nos tribunais superiores.



