Toffoli cobra PF por atraso no caso Banco Master, maior fraude bancária do país
Toffoli cobra PF por atraso em caso do Banco Master

O escândalo do Banco Master, considerado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como possivelmente a maior fraude bancária da história do Brasil, ganhou um novo e grave capítulo nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026. Em um despacho de tom contundente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, cobrou explicações formais da Polícia Federal por um atraso no cumprimento de ordens judiciais relacionadas à investigação.

Falha operacional da PF preocupa relator do caso

O ponto central da crítica de Toffoli foi o descumprimento de um prazo determinado pelo próprio Supremo. O ministro havia autorizado medidas cautelares, incluindo mandados de busca e prisão temporária, contra investigados ligados ao esquema que levou ao colapso do Banco Master. Entre os alvos estava o empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro. A ordem judicial estabelecia que as medidas fossem cumpridas em um prazo máximo de 24 horas.

Contudo, a operação da Polícia Federal só foi deflagrada dois dias depois do prazo estipulado. No despacho, Toffoli afirmou que a demora "causa espécie" e levantou uma preocupação grave: a de que os envolvidos tenham tido tempo hábil para destruir provas ou se articular para frustrar a ação policial. "O descumprimento do prazo pode resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas", escreveu o ministro, em uma rara e direta repreensão à atuação da PF em uma investigação de alta sensibilidade.

Crise institucional se amplia com nova rusga

O atrito entre o STF e a Polícia Federal é mais um capítulo de uma série de desgastes institucionais provocados pelo caso Banco Master. A crise já havia gerado um embate público entre o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Banco Central do Brasil (BC). A tensão surgiu quando o TCU, por iniciativa do ministro Jonathan de Jesus, tentou auditar o processo de liquidação do banco.

A iniciativa, no entanto, foi recuada diante de uma forte reação negativa do mercado financeiro e de críticas sobre uma possível interferência indevida na autonomia do Banco Central. Com a nova crítica de Toffoli à Polícia Federal, uma quarta instituição de peso da República — somando-se ao STF, ao BC e ao TCU — tem sua atuação questionada publicamente no âmbito do mesmo escândalo.

Credibilidade de órgãos reguladores e de controle em risco

Analistas e especialistas ouvidos pela reportagem alertam que o risco maior do caso vai além do volume financeiro da fraude. O efeito mais corrosivo, segundo eles, é o desgaste da confiança nas instituições responsáveis pela regulação, investigação e controle.

O Banco Central, por exemplo, depende de credibilidade inabalável para exercer seu papel de regulador do sistema financeiro. Da mesma forma, o Supremo Tribunal Federal já havia sido alvo de questionamentos desde o início do caso, quando Toffoli determinou sigilo total sobre os autos da investigação, levantando debates sobre transparência e foro adequado. Agora, a Polícia Federal, principal força de investigação do país, entra no radar de desconfiança por uma falha operacional apontada pelo próprio relator do processo no STF.

O desfecho do caso Banco Master ainda está longe. Investigadores admitem, em reserva, que as apurações podem revelar conexões mais amplas, envolvendo operações financeiras complexas e possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional. O grande desafio para as autoridades será conduzir essa apuração até o fim, buscando a punição dos responsáveis, sem que os danos à credibilidade das instituições envolvidas se tornem irreversíveis.