STF inicia julgamento de deputados do PL acusados de desviar emendas parlamentares
STF julga deputados do PL por desvio de emendas parlamentares (10.03.2026)

STF inicia julgamento histórico de deputados do PL por desvio de recursos de emendas

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deu início, nesta terça-feira (10), ao julgamento de deputados federais do Partido Liberal (PL) denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por suposto desvio de recursos de emendas parlamentares. O processo envolve acusações graves de corrupção e organização criminosa, com repercussões significativas no cenário político nacional.

Os principais acusados e as acusações

Entre os réus estão os deputados federais Josimar Cunha Rodrigues (PL-MA), conhecido como Josimar Maranhãozinho, e Gildenemir de Lima Sousa (PL-MA), o Pastor Gil, além do ex-deputado federal João Bosco da Costa (PL-SE). A denúncia da PGR alega que os parlamentares solicitaram pagamento de propina em troca da destinação de recursos ao município de São José de Ribamar, no Maranhão, por meio de emendas parlamentares.

Também são réus no processo: Thalles Andrade Costa, João Batista Magalhães, Adones Gomes Martins, Abraão Nunes Martins Neto e Antônio José Silva Rocha. As emendas parlamentares são recursos do orçamento federal destinados por deputados e senadores para seus redutos eleitorais, tornando o caso ainda mais sensível do ponto de vista da administração pública.

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Detalhes do rito de julgamento no Supremo

O julgamento segue as normas do Regimento Interno do STF, com o relator, ministro Cristiano Zanin, apresentando um relatório detalhado com os principais andamentos do caso. Em seguida, o subprocurador-geral da República, Paulo Vasconcelos Jacobina, representante da PGR, terá uma hora para se manifestar, com possibilidade de prorrogação devido ao número de réus.

Os advogados de defesa terão, cada um, prazo de até uma hora para suas sustentações orais. Concluídas as alegações, terá início a votação, com a seguinte ordem: primeiro o relator, ministro Cristiano Zanin, seguido pelo ministro Alexandre de Moraes, a ministra Cármen Lúcia e o presidente do colegiado, ministro Flávio Dino.

Especificações dos crimes e posições dos réus

  • O deputado Josimar Maranhãozinho responde por corrupção passiva e por integrar organização criminosa, com penas potencialmente mais graves devido à sua posição de liderança e à participação de funcionário público.
  • O deputado Pastor Gil, o ex-deputado Bosco Costa e João Batista Magalhães respondem por corrupção passiva e participação em organização criminosa, também com agravantes pela participação de funcionário público. Bosco Costa atualmente é suplente de deputado federal e não está em exercício.
  • Thalles Andrade Costa responde pela participação em organização criminosa, com penas mais graves pela participação de funcionário público.
  • Antônio José Silva Rocha, Adones Nunes Martins e Abraão Nunes Martins Neto respondem pelo crime de corrupção passiva.

Posicionamentos das defesas

Os advogados do deputado Pastor Gil afirmaram que a hipótese da acusação "não faz sentido" do ponto de vista "lógico, cronológico e jurídico", expressando confiança de que a Primeira Turma decidirá pela improcedência da acusação e pela absolvição do cliente. Já a defesa do deputado Josimar Maranhãozinho declarou na segunda-feira (9) que não se pronunciaria sobre o caso. A defesa de Bosco Costa, por sua vez, não respondeu aos contatos da reportagem, que segue tentando obter manifestações dos demais citados.

Este julgamento representa um marco na atuação do STF em casos de corrupção envolvendo parlamentares, com potencial para estabelecer precedentes importantes na aplicação da lei contra desvios de recursos públicos. O desfecho do processo será acompanhado de perto por autoridades, especialistas em direito e pela sociedade brasileira, ansiosa por justiça e transparência na gestão do erário.

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