Senador desmente invasão à sala-cofre da CPMI do INSS e classifica informações como boatos
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, negou categoricamente nesta terça-feira (24) que tenha ocorrido qualquer tipo de invasão ou vazamento de dados da sala-cofre da comissão. O local é utilizado para guardar materiais sigilosos, incluindo o conteúdo dos celulares apreendidos do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que atualmente se encontra preso.
Garantias de segurança e monitoramento contínuo
Em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, o parlamentar rebateu informações de que integrantes do colegiado teriam acessado o local sem autorização para filmar arquivos que estariam armazenados na nuvem dos aparelhos. "Até o momento não houve qualquer vazamento das informações que estavam na sala-cofre", afirmou Viana com veemência. "O que nós temos até agora são apenas boatos, suposições e informações vagas. Nenhuma confirmação de vazamento", completou o senador.
Questionado especificamente sobre as medidas de segurança implementadas no recinto, Viana garantiu que a vigilância é "severa" e monitorada por câmeras que funcionam ininterruptamente, vinte e quatro horas por dia. "Ninguém invadiu a sala-cofre sem autorização, não há como fazer isso. Todos os acessos são filmados", explicou o presidente da CPMI, deixando claro que qualquer movimento no local é registrado e controlado.
Intervenção do STF e devolução de materiais
O senador revelou, contudo, que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), procurou-o após a defesa de uma das investigadas relatar que veículos de imprensa estariam fazendo perguntas baseadas em supostas informações provenientes da sala-cofre. "Isso levou o ministro a conversar comigo e tomamos a decisão de o material ser devolvido ao Supremo Tribunal Federal", contou Viana. "Mas, repito, a informação de invasão não é verdadeira", pontuou novamente o parlamentar.
Viana enfatizou que uma investigação efetiva só pode ser conduzida com base em fatos concretos. "Nós só podemos fazer uma investigação efetiva quando tivermos fatos. Se tivéssemos qualquer cena feita com óculos escondido, como era a denúncia, aí sim teríamos dado sequência", argumentou. O senador informou ainda que a polícia está orientada para agir, mas somente quando ele determinar como presidente da comissão. Os parlamentares já foram alertados de que qualquer quebra de sigilo resultará em apuração rigorosa, reforçando o compromisso com a legalidade dos procedimentos.
Decisão do STF é celebrada como vitória popular
O senador classificou a decisão do ministro André Mendonça, que determinou a prorrogação do colegiado, como uma "vitória do povo e dos aposentados". Viana criticou abertamente a falta de diálogo com o presidente do Senado, David Alcolumbre (União-AP), e justificou a judicialização do prazo como uma medida necessária. Segundo ele, a Secretaria-Geral da Mesa teria se recusado a receber o requerimento de prorrogação, mesmo com todas as assinaturas necessárias já coletadas.
"Nós não precisávamos de uma decisão do Supremo para que o presidente do Senado cumprisse o que é obrigação do Parlamento: investigar", afirmou Viana com indignação. "Tínhamos as assinaturas e as exigências legais, mas infelizmente não quiseram nem receber o requerimento", detalhou o senador sobre os obstáculos enfrentados internamente.
A decisão de Mendonça, proferida na segunda-feira (23), estabeleceu um prazo de 48 horas para que Alcolumbre oficialize a prorrogação da CPMI. O presidente do Senado, por sua vez, solicitou um parecer da advocacia da Casa antes de responder à ordem judicial. Para Viana, a resistência observada dentro do Congresso Nacional é completamente injustificável, especialmente diante dos resultados tangíveis já apresentados pela comissão.
"Eu me pergunto: a quem interessa não investigar?", questionou o parlamentar. "Já pedimos a prisão de 21 pessoas e temos R$ 3,5 bilhões em bens apreendidos", enumerou Viana, destacando a efetividade dos trabalhos. "A decisão do Mendonça melhora a imagem do próprio STF e do Parlamento", defendeu o senador, enaltecendo a importância da continuidade das investigações para a transparência e a justiça.



