O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, passou a última segunda-feira (2) em uma extensa reunião fechada na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), onde revelou um dado alarmante: o rombo deixado nas contas do banco pelas transações malsucedidas com o Banco Master é estimado em R$ 8 bilhões. Até então, essa cifra era mantida em sigilo pela instituição, mas foi divulgada após mais de nove horas de discussões com deputados distritais.
Detalhes do rombo e plano de recuperação
Nelson Souza explicou que o valor foi calculado de forma conservadora, com base em auditorias do Banco Central e independentes, além do acompanhamento de órgãos reguladores. "Fomos bastante conservadores na definição desse valor. Tem uma auditoria do Banco Central, uma auditoria independente e tem todos os órgãos de controle e reguladores acompanhando. Em todos eles, a provisão é de aproximadamente R$ 8 bilhões e o aporte de capital, na faixa máxima de R$ 6,6 bilhões", afirmou o presidente.
O governo do Distrito Federal busca o aval dos deputados para repassar nove imóveis ao BRB, com valor estimado em cerca de R$ 6,6 bilhões, a fim de recompor o patrimônio do banco, danificado pelo caso Master. No entanto, a reunião terminou com críticas de parlamentares da oposição e aliados ao governo Ibaneis Rocha (MDB), que apontaram lacunas não respondidas sobre os valores e o uso desses imóveis. A votação do projeto nesta semana ainda é incerta.
Origens do prejuízo e investigações em andamento
Entre 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master. Segundo a Polícia Federal, pelo menos R$ 12,2 bilhões desses recursos envolvem operações com fortes indícios de fraude. Há dúvidas sobre o verdadeiro valor dos ativos comprados pelo BRB, já que, com a liquidação do Master, boa parte foi retida e não integrou o patrimônio do banco distrital.
O Ministério Público Federal identificou "indícios de participação consciente dos dirigentes do BRB no suposto esquema fraudulento engendrado pelos gestores do Banco Master". Nelson Antônio de Souza assumiu a presidência do BRB após a operação Compliance Zero, em novembro de 2025, que mirou o então presidente Paulo Henrique Costa. A atual gestão e uma auditoria independente continuam investigando a situação interna da instituição.
Ao longo de meses, o BRB tentou fechar um acordo para comprar o Banco Master, com apoio do governador Ibaneis Rocha, mas a operação foi barrada pelo Banco Central. Esse contexto histórico reforça a complexidade do caso e os desafios enfrentados pela instituição para superar a crise financeira.
