Renan Calheiros denuncia manobra do Centrão para esvaziar investigações do Banco Master
O senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, acusou publicamente partidos do centrão de tentarem esvaziar as investigações relacionadas ao caso do Banco Master. A declaração ocorre em meio a uma disputa sobre o fórum adequado para o depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro, que está marcado para o dia 24 deste mês.
Disputa sobre depoimento de Vorcaro gera tensão política
Enquanto o presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, Carlos Viana, adiantou a data do depoimento de Vorcaro para 23 de outubro, Renan Calheiros defende que o banqueiro seja ouvido na CAE. Segundo o senador, Vorcaro solicitou depor na comissão que ele preside por considerar seu escopo mais abrangente, indo além das questões específicas de empréstimos consignados a aposentados e pensionistas.
"A CAE atua permanentemente no acompanhamento e fiscalização do Sistema Financeiro Nacional, como um todo, inclusive nas suas fraturas que favorecem fraudes como a do Master", afirmou Renan Calheiros. "Nosso trabalho fortalece, sem nenhum conflito, qualquer CPI que queira tratar dessas fraudes, punir responsáveis e aprimorar legislação."
Acusações de manobra política para barrar investigações
Na avaliação do senador, a movimentação de partidos do centrão foi proposital para ofuscar e impedir o trabalho do grupo de trabalho da CAE. Renan Calheiros destacou que até mesmo o pedido de quebra de sigilo do banqueiro foi restringido pelos parlamentares, limitando-se apenas aos consignados.
"Ele quer falar num fórum especializado", explicou o senador sobre a preferência de Vorcaro pela CAE. "Até o pedido de quebra de sigilo do banqueiro eles voltaram atrás, restringiram apenas para consignados."
Contexto das investigações e impacto político
O caso do Banco Master envolve suspeitas de fraudes no sistema financeiro, com destaque para operações de empréstimos consignados. A disputa entre a CPMI do INSS e a CAE reflete tensões políticas mais amplas no Congresso Nacional, onde diferentes comissões buscam protagonismo em investigações de grande repercussão pública.
Renan Calheiros, que também é relator do projeto de isenção do Imposto de Renda, mantém uma postura firme na defesa da atuação da comissão que preside. O senador argumenta que a CAE possui competência técnica e jurídica para tratar de forma completa as irregularidades do caso, garantindo uma investigação mais profunda e abrangente.
A situação evidencia as complexas relações de poder no Legislativo brasileiro, onde estratégias políticas podem influenciar diretamente o curso de investigações importantes para a transparência e a justiça no sistema financeiro nacional.