Prefeito de Taboão da Serra mantém chefe de gabinete preso por placas falsas
O prefeito de Taboão da Serra, Daniel Bogalho (União Brasil), declarou publicamente nesta sexta-feira (20) que não pretende exonerar seu chefe de gabinete, o pastor Marco Roberto da Silva, que foi preso em flagrante por utilizar placas adulteradas em seu veículo particular. O caso ocorreu no interior de São Paulo e tem gerado repercussão na administração municipal.
Detenção e alegações incomuns
Marco Roberto da Silva foi detido na última terça-feira (18) na cidade de Águas Claras, após ser abordado pela Polícia Militar de Minas Gerais enquanto dirigia com placas falsas do Poder Legislativo da cidade vizinha de Embu das Artes. Segundo os policiais, o veículo era uma caminhonete particular registrada em nome de uma empresa, e as placas originais foram encontradas guardadas dentro do automóvel.
Em seu depoimento, o pastor apresentou uma versão peculiar para justificar o uso das placas adulteradas. Ele alegou que alguém, que não conseguiu identificar, colocou as placas falsas em seu carro "por brincadeira ou por maldade" quando o veículo estava estacionado em Taboão da Serra. Marco Roberto afirmou ainda que, por estar fazendo uso de "remédios fortes" para tratar doenças físicas e psíquicas, teria esquecido de retirar as placas ilegais.
Contradições nas versõesEntretanto, os policiais relataram uma contradição significativa. No momento da abordagem, segundo o boletim de ocorrência, Marco teria admitido que ele mesmo colocou as placas falsas no veículo, alegando que as obteve junto à Prefeitura de Embu das Artes e que as utilizava para "desfrutar de livre circulação". Ele ainda declarou que na Grande São Paulo seria comum o uso dessas identificações falsificadas.
Posicionamento do prefeito
Em entrevista ao g1, o prefeito Daniel Bogalho classificou o ocorrido como grave, mas defendeu a permanência do pastor no cargo. "O Pastor Marco Roberto, como chefe de gabinete, vem prestando um bom e importante trabalho. O ocorrido deve e está sendo apurado pela Justiça, na qual todos nós confiamos", afirmou Bogalho.
O prefeito demonstrou cautela ao se posicionar sobre o caso: "Entendo ser grave sim, não somos coniventes com nenhuma atitude como esta. Mas prefiro me posicionar melhor após apurar todos os fatos". Bogalho ainda mencionou que, se a Justiça determinar que Marco não possa sair de Embu das Artes para trabalhar em Taboão da Serra, terá que conceder licença ao funcionário.
Medidas cautelares e vínculos políticos
Marco Roberto foi solto na quinta-feira (19) após audiência de custódia na cidade de São João da Boa Vista, interior de São Paulo. A Justiça determinou várias medidas cautelares, incluindo:
- Proibição de deixar Embu das Artes sem autorização judicial
- Restrição de frequentar bares e "locais de má fama"
- Toque de recolher das 23h às 6h, inclusive nos finais de semana
O pastor tem ligações políticas significativas na região. Ele foi indicado ao cargo em Taboão da Serra pelo ex-prefeito de Embu, Ney Santos (Republicanos), após participar da campanha que elegeu o atual prefeito de Embu, Hugo Prado (Republicanos). Nas redes sociais, Marco Roberto frequentemente aparece em fotografias ao lado dessas figuras políticas.
Situação funcionalMarco Roberto da Silva está registrado como funcionário do gabinete do prefeito de Taboão da Serra, com salário superior a R$ 15 mil mensais. Seu advogado, Paulo Cesar dos Anjos, informou que vai se "manifestar apenas nos autos do processo, em momento oportuno".
A reportagem procurou a prefeitura de Embu das Artes e a Câmara Municipal da cidade para comentarem o caso, mas ainda aguarda posicionamentos oficiais. O Ministério Público concordou com o pedido da defesa para que Marco responda ao processo em liberdade, sendo indiciado pelo crime de "adulteração de sinal identificador de veículo automotor".



